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Como criar um fundo de emergência?

6 min

Para prevenir situações inesperadas o ideal é ter algum dinheiro de parte. Saiba o que é, para que serve e como deve criar um fundo de emergência.

Data de publicação 2020 M06 15

O que é um fundo de emergência?

Um fundo de emergência é um montante de dinheiro que pomos “de lado” para uma situação imprevista. É uma reserva, uma pequena poupança que funciona como “almofada financeira” em caso de necessidade.

Porque é importante ter um fundo de emergência?

Existem inúmeras situações na nossa vida que não podemos controlar como um problema de saúde, desemprego, divórcio, acidente ou, simplesmente, uma avaria no carro ou em casa. Alguns imprevistos são mesmo de grande dimensão e  surgem de forma repentina, sem que ninguém pudesse prever, como a crise financeira internacional de 2008-2009 ou a pandemia de Covid-19. Para perceber a importância de ter dinheiro de lado para algum imprevisto, faça o seguinte raciocínio: se ficasse neste momento de baixa, durante quanto tempo conseguiria suportar as suas despesas mensais, mantendo o mesmo estilo de vida? Pegue na calculadora e faça as contas. Imagine que tem 1.000 euros de despesas por mês. Se, por algum motivo, não recebesse o seu salário na totalidade, quantos meses é que conseguiria sobreviver mantendo o seu estilo de vida? Se tiver 2.000 euros de parte sabe que tem uma folga de dois meses. Mas se não tiver qualquer poupança as dificuldades serão, muito provavelmente, imediatas.

A quem se destina um fundo de emergência?

Na realidade, a toda a gente. No entanto, há pessoas que podem ser mais suscetíveis de ter necessidade de recorrer a um fundo de emergência por se encontrarem numa situação profissional ou de vida mais instável como é o caso, por exemplo, dos trabalhadores independentes, empreendedores ou pequenos empresários.

Como criar o seu fundo de emergência em 6 passos

1) Calcule as suas despesas

Em primeiro lugar, contabilize todas as suas despesas: reúna faturas e talões e diferencie as despesas essenciais das supérfluas (como jantar fora, ir ao cinema, beber um café ou um copo com os amigos, etc). Se ajudar, pode fazer essa organização numa tabela, por exemplo, numa folha de Excel. Perceba que existem despesas fixas (como a renda ou a prestação da casa, do carro, o seguro de saúde, etc) e variáveis (água, luz, gás, supermercado, combustível ou transportes), que, naturalmente, influenciam o volume dos seus gastos mensais. Existem ainda outras despesas que são anuais, como é o caso do seguro do carro. Faça uma média ou uma estimativa e, por uma questão de prudência, arredonde as suas despesas por cima.

2) Faça contas às receitas

Depois de contabilizar as despesas, é importante saber também quanto ganha. Se vive do seu salário fixo, as contas são mais fáceis de fazer. Se é trabalhador independente, poderá ter rendimentos mais variáveis. Depois de fazer estes cálculos, o objetivo é retirar do seu ordenado ou rendimentos, o valor das despesas e avaliar quanto conseguiria poupar por mês. Experimente considerar a poupança como mais uma despesa, de forma a tornar-se um hábito. Se deixar para o fim do mês, o hábito de pôr dinheiro de parte, corre o risco de não poupar.

3) Quanto deve ter o fundo de emergência

O ideal, para prevenir situações inesperadas, é ter, numa conta à parte, dinheiro suficiente para cobrir seis meses de despesas mensais. Mas, se for demasiado para si, experimente ter como objetivo, numa fase inicial, três meses de despesas. Desta forma, se tem 500 euros de despesas fixas todos os meses, deverá ter de parte pelo menos 1.500 euros. Se tem 1.000 euros de despesas, o objetivo deverá passar por ter, no mínimo 3.000 euros de poupança.

No entanto, para prevenir situações extremas, como a atual crise provocada pela Covid-19, poderá ser necessário ter um fundo de emergência mais robusto. Para Bárbara Barroso, especialista em finanças pessoais, até ao momento, o ideal era “ter um montante no fundo de emergência que fosse suficiente para cobrir 6 a 12 meses da nossa despesa mensal”. Desde que surgiu a pandemia, aconselha que este fundo deve cobrir, pelo menos, um ano das despesas da família. E exemplifica: “Se, por exemplo, o meu rendimento é de 1.000€ por mês, o meu fundo deve ter 12 mil euros”. Para quem não consegue constituir, nesta altura, um fundo de emergência, a especialista em finanças pessoais sublinha que “o importante é começar”. Mesmo que o seu fundo seja equivalente a, apenas, um mês de ordenado, deve “ter como objetivo aumentar essa poupança”. E, no mesmo sentido, “se não puder fazer um fundo de emergência tão grande, faz mais pequeno”.

4) Como criar o fundo de emergência

Abra uma conta com o objetivo específico de poupar. Tenha apenas em atenção que algumas contas-poupança ou depósitos a prazo não permitem mobilizar o dinheiro, em caso de necessidade. É importante que possa utilizar esta almofada financeira, numa emergência, mas também deve ser rigoroso na definição dos motivos que justifiquem mexer neste fundo. Para não ter tentações, não associe cartões de débito nem de crédito e não faça levantamentos desta conta.

Outro ponto relevante é ser disciplinado na poupança: o ideal é dar ordem automática para transferir 5% a 10% do seu rendimento todos os meses. Assim fica a salvo de esquecimentos e evita gastos desnecessários. Se apenas consegue um pequeno montante, não desanime. O importante é que comece a poupar, por muito pouco que possa parecer, mais cedo ou mais tarde o objetivo será atingido.

5) Aprenda a rentabilizar o seu dinheiro

Para saber como aplicar dinheiro, Bárbara Barroso sugere uma estratégia que junta certificados de aforro com depósitos a prazo. Os certificados de aforro têm alguma rendibilidade, mas têm como desvantagem não poderem ser mobilizados nos primeiros três meses. O que significa que, se tiver uma emergência e precisar desse dinheiro, não pode resgatá-lo. Por isso, a fundadora do MoneyLab propõe uma estratégia: “Se já tiver três meses de fundo de emergência, deixa esse valor num depósito a prazo ou conta-ordenado remunerada e, à medida que for poupando mais, vai colocando nos certificados de aforro”.

Segundo Bárbara Barroso, aqui “o foco é não haver risco de perder o dinheiro”. Por exemplo: “se apostar em ações estou sujeito às flutuações de mercado. Se resolver aplicar tudo numa casa e quiser vender, para transformar rapidamente em dinheiro, não consigo”. Como tal, o ideal é apostar num produto que lhe permita resgatar o dinheiro rapidamente e sem penalizações, em caso de emergência.

6) Programe os seus depósitos 

Pode ser uma forma de controlar ainda melhor as suas poupanças ou manter o seu fundo de emergência: programar um valor para ser retirado do seu ordenado assim que cai na sua conta. Existem soluções como a Poupança Aforro do Millenium BCP, em que pode automatizar depósitos a partir dos 25 € por mês e reforçar esse valor nos meses em que as contas estejam mais folgadas. Se for cliente Caizazul na CGD, tem a opção de escolher um serviço automático entre contas, em que é transferido, sem intervenção do cliente, os excedentes da conta à ordem para a conta poupança. Fale com o seu banco para saber qual a melhor alternativa para começar já a poupar de forma automática.

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