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Piscinas biológicas: das rãs com “graça” às “cobrinhas” que afastam

11 min

Não são lagos nem são piscinas. São construídas pelo Homem, mas de artificiais têm pouco. Funcionam com plantas e não utilizam químicos. A fauna deveria ficar à parte, mas, às vezes, aparece para uma visita. Descubra neste artigo como mergulhar numa piscina biológica… e na Natureza.

Data de publicação 2020 M09 16

As piscinas biológicas, ou biopiscinas, são semelhantes a lagos artificiais. Mas, na realidade, de artificial têm pouco. Segundo o site Planeta Azul, dedicado ao ambiente e sustentabilidade, “são estruturas semelhantes a lagos ornamentais que utilizam um sistema de filtragem natural com substratos e plantas para o tratamento e depuração da água”. Também o ABC Piscinas descreve-as como “lagos artificiais que são escavados no terreno onde a piscina será instalada e que são protegidos com uma tela impermeável”.

Mais do que um lago cheio de vida aquática

Há quem diga maravilhas e quem tenha vontade de fugir a sete pés. As piscinas biológicas não são consensuais, pelo menos, para os leitores do Contas Connosco. Quando questionados se sabem o que é uma piscina biológica, 24% diz que sim (70 pessoas) e 76% responde não fazer a mínima ideia (223 pessoas). Já sobre a possibilidade de poderem nadar com algumas espécies aquáticas, 12% diz que era capaz de fazê-lo “sem problema” (49 pessoas) e 88% garante que “nem pensar” (350 pessoas).

Rita experimentou uma piscina biológica este verão e garante que não quer outra coisa. Achou “graça” às “rãs e girinos que se aproximavam” e adorou “o facto de não ter cloro porque não secava a pele”. Por isso, não tem dúvidas:

“Se um dia tiver uma piscina, há- de ser biológica”.

Elsa esteve num alojamento que tinha uma piscina deste género e confessa que “estava disposta a ir para lá porque era bem bonita” com “nenúfares” e “ar de natureza nada artificial”. No entanto, quando viu “uma cobrinha”, sentiu que “era demais” e optou por ficar em terra firme e deixar os mergulhos para outras águas.

Quanto a Sara experimentou e não gostou:

“não via o fundo”, sentia coisas “a passar pelo corpo” e acabou por ter uma sensação “claustrofóbica”. Além disso, considera que “a água era pesada”.

Apesar de não ser muito comum, em Portugal, já existem várias piscinas biológicas não só em projetos de turismo sustentável e agro-turismo como, segundo o site das Biopiscinas, em casas particulares.

A Casa do Alto da Eira abriu há 16 anos e, segundo os proprietários Luís Varela e Artemisa Nobre, já nessa altura procuraram piscinas biológicas e “não foi difícil encontrar”. A escolha deveu-se, sobretudo, à “preocupação ambiental” e “o aspeto visual também contou bastante”. Os proprietários garantem que “a reação dos hóspedes é ótima” porque “todos adoram o contato com a natureza” e “observar as rãs”, sobretudo "as crianças que têm uma grande admiração por toda aquela envolvência”. Luís Varela e Artemisa Nobre afirmam ainda que “há quem não dispense um mergulho de noite” porque “a temperatura da água também é mais elevada”. Quanto à manutenção, asseguram que fazem “a limpeza de toda a piscina” e a "poda das plantas como se de um jardim se tratasse” de forma a garantir “uma boa qualidade da água”.

Também o Cocoon Eco Lodges fez esta opção por estar inserido “numa zona ambientalmente sensível” e por querer “respeitar e valorizar” a floresta em que estão inseridos. Por isso, o responsável pelo empreendimento, Nuno Veloso, considera que foi “uma aposta particularmente bem sucedida” porque “a piscina biológica sublima a boa energia e beleza da paisagem”, permitindo “criar um habitat diferente, mais próximo e em harmonia com a natureza”. Quanto aos hóspedes, assegura que:

“muitos apreciam usufruir duma água sem químicos, com uma textura natural, muito diferente das experiências a que as pessoas estão habituadas”.

Segundo Nuno Veloso, “a sensação é a de estar a nadar num rio envolvido pela beleza e calma da floresta”. Ora veja nesta galeria de imagens as piscinas biológicas nos dois alojamentos:

A piscina que se divide em duas - para banhos e depuração

Por norma, as piscinas biológicas estão divididas em duas zonas: uma destinada a banhos e mergulhos, a outra para depuração ou regeneração do ecossistema. É nesta zona que a “magia” acontece, ou seja, que a água é limpa através da ação das plantas aquáticas e microrganismos naturais. De acordo com o Planeta Azul, “as plantas aquáticas e os microrganismos vivos absorvem os materiais em decomposição e as bactérias, convertendo-os em matéria orgânica que, por sua vez, é absorvida pelas plantas aquáticas, providenciando assim uma água biologicamente pura”. Além disso, através do processo de fotossíntese das plantas “é também produzido oxigénio, essencial para manter a oxigenação da água e afastar os microrganismos ‘perigosos'". Na prática, “as plantas colocadas numa piscina biológica devem ser capazes de desempenhar 4 funções: oxigenação, assimilação de nutrientes, sombreamento e ornamental”.

A área mínima para construir uma piscina biológica é de 150 metros quadrados. Deve ser feita num terreno plano e após a escavação é colocada uma tela para impermeabilizar, que é soldada à piscina. De acordo com a informação divulgada no site das Biopiscinas, trata-se de uma tela feita com “polioleofinos, um material cem por cento reciclável” e com “mais longevidade do que o betão”.

A área da piscina é dividida em duas - para banhos e depuração - e, nas margens, as extremidades da tela são cobertas por pedras, seixos ou outros para “proteger dos raios ultravioleta e aumentar a durabilidade” da piscina. Depois, enche-se com água e colocam-se as plantas “criteriosamente escolhidas, atendendo às condições locais, clima e características da água”. Segundo o Planeta Azul, primeiro são colocadas “as plantas na zona de depuração mais profunda, com recurso a mergulho” e depois são fixadas as “espécies escolhidas para as margens” e as “espécies flutuantes”.

As plantas aquáticas utilizadas nas piscinas biológicas são criadas em viveiros, especificamente para este efeito. No caso das Biopiscinas, têm mais de 130 espécies de plantas aquáticas autóctones, produzidas num viveiro no Algarve.

Na maior parte dos casos, não é possível instalar uma piscina biológica a partir de uma barragem. De acordo com o site das Biopiscinas, as barragens estão localizadas em sítios “onde se acumula e apanha o máximo das águas pluviais” e as Piscinas Biológicas “têm de evitar quaisquer afluentes de águas superficiais”. Uma vez que “as águas das barragens são turvas devido à impermeabilização mineral (barro e argila)” isto “impede um bom desenvolvimento de plantas subaquáticas”.

Por norma, a temperatura da água das piscinas biológicas é mais elevada porque "aquece naturalmente mais rápido devido ao baixo nível da água na parte das plantas”. No entanto, se quiser é possível instalar um sistema de aquecimento. Só deve ter em atenção que  a temperatura da água não deve exceder os 30ºC porque, acima deste valor, “as plantas começam a sofrer”.

Quanto a preços, de acordo com o Planeta Azul, o custo de instalação de uma piscina biológica é “semelhante ao de uma piscina tradicional”, estimando “a partir dos 15 mil euros para um projecto ‘chave na mão’”. No entanto, naturalmente, o valor varia em função da área, dos materiais escolhidos e das especificidades do projeto.

No caso das Biopiscinas, pode ser considerado um “preço de orientação por metro quadrado construído de cerca de 135 Euros (excluindo apenas o valor da água do primeiro enchimento)”.

Em relação à manutenção, o custo é muito inferior ao de uma piscina tradicional uma vez que não existem sistemas de filtragem nem cloro para tratamento da água.

Manutenção das piscinas biológicas

Nos primeiros três a quatro anos, a manutenção das piscinas biológicas, acontece de forma natural. Após este período de tempo, segundo o Planeta Azul, é desejável cortar as plantas “antes do Outono para evitar a acumulação de biomassa em excesso”. As plantas não precisam de ser substituídas porque essa regeneração também acontece de forma natural, durante a Primavera. No entanto, poderá ser necessário remover algumas algas que surjam na área destinada aos banhos e - tal como acontece nas piscinas artificiais - pode-se utilizar um camaroeiro para retirá-las ou um sistema de tratamento mecânico. Também é recomendada uma “limpeza regular” ao fundo da piscina “com um aspirador de lamas para piscinas biológicas” para evitar a acumulação de sedimentos como calcário, pó, pólen e matérias orgânicas provenientes das plantas. No caso das Biopiscinas, aconselham fazer “a limpeza quinzenalmente ou até mensalmente”.

Durante a construção, é feita uma análise à qualidade da água, até porque, de acordo com o site das Biopiscinas, "é obrigatória antes de iniciar o planeamento da Piscina Biológica” e, em alguns casos, pode ser necessário “um pré-tratamento” que é “definido na fase da elaboração do projeto”. Quanto à qualidade da água, ao longo do tempo e das utilizações, “depende muito da qualidade do primeiro enchimento”. Isto porque não pode ser utilizada qualquer água, nomeadamente as que estão “contaminadas por microorganismos cujos teores já ultrapassam as normas para a água balnear”. No mesmo sentido, “também a composição química tem de ficar abaixo de certos valores, em especial os dos nutrientes para plantas”.  De acordo com o Planeta Azul, uma forma simples de verificar se a água está em boas condições é ir analisando se está turva. E, para isso, “basta atirar um objecto para a zona mais profunda da piscina e verificar se o mesmo se consegue ver com nitidez”. Em alguns casos, de acordo com as recomendações da Biopiscinas, “utilizam-se bombas solares ou de muito baixo consumo nas Piscinas Biológicas” para “transportar água sem danificar o equilíbrio ecológico”.

Um pormenor que deve ter em atenção para não prejudicar a qualidade da água é a utilização de protetores solares. Pode utilizar, mas, tal como acontece nas piscinas convencionais, antes de entrar na água deve tomar um duche, não só por questões de higiene, mas também para retirar o excesso dos produtos e não sujar a água.

A fauna e a flora das piscinas biológicas: mito ou realidade

Se pensa que pode ter um pequeno jardim zoológico marinho na sua piscina biológica, desengane-se. Em primeiro lugar, exclua os peixes. De acordo com o site das Biopiscinas, não devem existir nas piscinas biológicas porque “muitas espécies têm o hábito de procurar a dieta na lama ou junto das plantas” e isso pode prejudicar a qualidade da água. Quanto a possíveis “visitas” de sapos, rãs ou outras espécies, não é suposto, mas pode acontecer. Como já referimos acima, as piscinas têm duas áreas separadas: a de banho e a de depuração, ou seja, para as plantas. No entanto, pode acontecer que um sapo ou outra espécie apareça na zona destinada aos banhos, apesar de, por norma, habitarem na zona das plantas por ser onde melhor encontram abrigo e alimentação.

Apesar de estar no meio da Natureza, não precisa de se preocupar com os mosquitos. De acordo com o site das Biopiscinas, “as espécies de mosquitos que picam procuram outros sítios para pôr os ovos”, uma vez que “as larvas destes mosquitos precisam de uma água turva e rica em nutrientes”. Além disso, assegura, “na piscina biológica vivem várias espécies de outros insetos, por exemplo, as larvas das libélulas, que iam comer todas as larvas de mosquitos”.

Vantagens e desvantagens das piscinas biológicas

A principal diferença entre as piscinas convencionais e as piscinas biológicas é que estas não utilizam cloro nem filtros, uma vez que são as plantas aquáticas que permitem a manutenção e limpeza. Além disso, também não é necessário renovar a água todos os anos, ao contrário do que acontece com as piscinas convencionais. É apenas necessário repor a água que evapora, devido ao calor, ou esvaziar um pouco a piscina se existir água em excesso por causa da chuva. Desta forma, as piscinas biológicas são mais sustentáveis e ecológicas uma vez que não utilizam aditivos químicos na água nem é necessário qualquer equipamento de desinfeção. Tome nota das vantagens e desvantagens das piscinas biológicas:

VantagensDesvantagens

Naturais e ecológicas

Construção tem de ser feita por empresas especializadas e existem poucas em Portugal

Boa qualidade da água

Temperatura da água está dependente da meteorologia

Não há necessidade de adicionar químicos ou cloro

Algumas espécies que habitam na zona de depuração podem aparecer na zona de banhos

Não é necessário substituir a água

Precisa de um aspirador específico para piscinas biológicas

Não requer equipamentos elétricos (logo não tem custos de energia)

 

Tela é mais barata e dura mais do que o betão

 

Custo de manutenção reduzido

 

Não atraem mosquitos

 

Facilmente integradas na paisagem

 

 

E agora que já tem toda a informação do seu lado… vai um mergulho?

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