COVID-19

Férias? Sim, mas por cá

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“Vá para fora cá dentro” - nunca este slogan fez tanto sentido. Agora não se trata só de promoção do turismo português, mas também de uma necessidade. Veja tudo o que pode e não pode fazer nestas férias de Verão.

Com a chegada do calor e a necessidade de “desconfinar” é natural que já esteja a pensar em férias. A incerteza gerada pela pandemia de Covid-19 faz com que, dificilmente, seja possível viajar nos próximos meses. Por isso, talvez o ideal seja ficar por cá. Se puder, “vá para fora cá dentro”. Desta forma, contribui para a recuperação da economia portuguesa, ajuda a manter postos de trabalho e, claro, usufrui do país fantástico que é Portugal. Para que possa começar a fazer alguns planos, explicamos-lhe o essencial que deve ter em consideração.

Esquecer, por momentos, a Covid-19 e o medo do contágio e usufruir das férias. É este o sentimento que Sandra Francisco pretende transmitir aos hóspedes da Cerca do Sul, um alojamento turístico inserido numa propriedade de oito hectares, em S. Teotónio, no sudoeste alentejano.

A Cerca do Sul não chegou a encerrar, mas a quebra expectável nas reservas permitiu que houvesse mais tempo para adaptar o espaço às necessidades de higiene e segurança no contexto da pandemia. “Temos sete quartos e um vai estar sempre fechado para possível necessidade de isolamento. Além disso, vamos alterar os horários do pequeno-almoço. Em vez do buffet que existia, vamos ter lista. Os hóspedes passam a reservar a hora do pequeno-almoço e o que pretendem comer e nós servimos à mesa”, explica Sandra Francisco, gestora do espaço. “A única zona que possivelmente terá algum cruzamento de pessoas será a kitchenette que é de uso comum. Quem quiser utilizar esta área, terá de fazer a desinfeção de todas as embalagens que trouxer do exterior, desinfetar as mãos e utilizar máscara”, acrescenta. Além disso, segundo a gestora, todos os quartos da propriedade passaram a ser desinfetados “com os produtos adequados” - com maior incidência nas zonas partilhadas - os funcionários começaram a utilizar máscaras e luvas e existem dispensadores de álcool gel para os clientes poderem fazer a desinfeção frequente das mãos. Aos hóspedes será pedido que “tragam as suas próprias máscaras e termómetros”.

Quanto aos preços de alojamento na Cerca do Sul, não sofreram qualquer alteração: "Mantive todos os preços. Neste momento o que se sente na hotelaria é uma grande sede de baixar preços para cativar clientes. Mas, se as vendas vão ser mais reduzidas e ainda vamos ter mais custos, baixar preços está fora de questão. No entanto, para nós, subir também não faz sentido por uma questão de respeito e carinho para com os nossos clientes”.

Um cenário diferente é transmitido por Miguel Gonçalves, cuja família é proprietária do Refúgio do Raposo, um empreendimento de turismo rural constituído por quatro casas de xisto na aldeia de Casalinho da Ribeira, no concelho de Proença-a-Nova. Optaram por encerrar a 16 de Março “por uma questão de precaução” e prevêem reabrir no final de Junho. No entanto, ainda existem muitas dúvidas sobre as condições que têm de cumprir: “Quem assume a higienização dos espaços comuns e dos estabelecimentos? Por exemplo, nas zonas de lazer à volta da piscina, qual é o tipo de material que devemos utilizar para a higienização? Como é feita a formação dos colaboradores?”, questiona Miguel Gonçalves. “Há informações contraditórias” - garante. E exemplifica: “Por exemplo, dizem que se houver suspeita de infeção, a pessoa tem de ser colocada num espaço arejado. Que espaço e durante quanto tempo? E se for necessário fazer quarentena, quem paga os custos?”.

Ainda assim, Miguel Gonçalves, colaborador do Refúgio do Raposo e filho dos donos, explica que já tomaram uma série de medidas porque defendem “a precaução acima de tudo” e pretendem “reabrir o mais depressa possível e em segurança”: “Fizemos toda a desinfeção do espaço, de acordo com as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e temos álcool gel em todas as casas, assim como em stock. Todas as casas estão separadas, têm cozinha equipada e telheiro. A única zona em comum é a de lazer, que é bastante grande. Mesmo que as casas estejam todas ocupadas, conseguimos manter a distância de dois metros entre as pessoas”, garante. No entanto, confessa que ainda precisam de perceber “o ciclo temporal em que será necessário desinfetar as casas”, assim como “o que é possível pedir aos hóspedes quando chegam” como é o caso, por exemplo, da “verificação da temperatura corporal”. Além disso, diz mesmo que a família está disposta “a investir numa máquina de ozono, que foi eficaz na desinfeção de outro coronavírus”, no entanto, é necessário perceber antes “se é eficaz com este”. 

Tendo em conta todos os custos previstos e necessidade de investimento, Miguel Gonçalves admite: “Ou temos apoio da Câmara Municipal nesse aspecto ou teremos que subir os preços”.

 

Guia essencial para as suas férias

Quer escolha ficar em casa ou sair, veja este guia com as respostas às suas principais dúvidas.

Posso fazer férias fora da minha zona de residência?

Sim, as restrições à circulação existiram, apenas, durante o estado de emergência e em períodos específicos relacionados com os fins-de-semana prolongados e as chamadas “pontes” perto da Páscoa e do 1 de Maio, dia do Trabalhador. 

Posso fazer uma reserva num Hotel ou outro alojamento?

Sim, pode. Os hotéis não foram obrigados a encerrar no âmbito das restrições impostas pelo estado de emergência. No entanto, com a necessidade de isolamento social, muitas unidades optaram por fechar, devido à quebra na procura ou mesmo inexistência de clientes. De acordo com Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), cerca de 75% das empresas associadas fecharam: dois terços na área do alojamento turístico e 30% na restauração. 

Como saber se o Hotel ou alojamento cumpre as regras de higiene e segurança exigidas pela pandemia?

O Turismo de Portugal lançou o selo “Clean & Safe” com o objetivo de “distinguir as actividades turísticas que asseguram o cumprimento de requisitos de higiene e limpeza para prevenção e controlo da covid-19 e de outras eventuais infecções”. No entanto, se a unidade ou alojamento não tiver este selo isso não significa, necessariamente, que não seja segura ou não cumpra os requisitos de higiene. Procure marcas que já conhece e nas quais confia e informe-se sobre todos os cuidados que o espaço está a ter antes de fazer uma reserva.

Posso fazer férias num parque de campismo?

Para já, não. Ainda não há data prevista de abertura para parques de campismo.

Já posso ir à praia?

Sim, pode ir à praia, estender a toalha na areia e dar um mergulho no mar. Apesar da época balnear só abrir a 6 de junho, a resolução do Conselho de Ministros, publicada no dia 17, é clara ao permitir “deslocações para efeitos de fruição de momentos ao ar livre, designadamente em parques, nas marginais, em calçadões, nas praias, mesmo que para banhos, ou similares”. No entanto, deve manter a distância de segurança e todos os cuidados de higiene. 

O que muda com a abertura da época balnear a 6 de junho?

Basicamente, a partir de 6 de junho, aumentam as restrições. Vai existir sinalética a indicar se a praia está com ocupação baixa, elevada ou plena, que poderá consultar perto das praias ou, idealmente, antes de sair de casa, através da aplicação Info Praia, criada para o efeito. Terá de manter uma distância de 1,5 metros das outras pessoas e 3 metros entre chapéus de sol. Os toldos, colmos ou barracas só poderão ser alugados da parte da manhã ou da parte da tarde para dar hipótese a toda a gente de usufruir do espaço.

Aumenta também a fiscalização tanto por parte da Polícia como dos nadadores-salvadores. 

Como saber tudo o que posso ou não posso fazer na praia?

Pode consultar aqui algumas das respostas às perguntas frequentes realizadas pelo Serviço Nacional de Saúde ou consultar o manual de regras para as praias criado pelo Governo.

Também posso ir à piscina?

Não, se se tratar de uma piscina pública ou municipal. Só poderá fazê-lo se for a piscina da sua casa ou do alojamento onde estiver. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o cloro existente na água das piscinas é suficiente para eliminar o vírus, não existindo, por isso, risco de propagação. No entanto, as piscinas, ginásios ou spas ainda não têm data prevista de abertura, uma vez que o que está em causa, na maior parte dos casos, é a limpeza e condições de segurança nos espaços de utilização comum.

Posso ir a uma esplanada, almoçar ou jantar fora?

Sim. As esplanadas e restaurantes abriram a 18 de maio e podem funcionar até às 23 horas, desde que cumpram as normas de higiene e segurança. Lembre-se que, para entrar num espaço público fechado, tem de utilizar máscara e respeitar as normas de distanciamento social e etiqueta respiratória.

Posso ir ao cinema, teatro ou assistir a um espetáculo?

Sim, mas só a partir do dia 1 de junho. No entanto, dada a contestação existente no setor da Cultura ainda não se sabe ao certo quais os espaços que vão abrir nem em que circunstâncias.

Posso ir a um bar ou discoteca?

Não. Apesar das reclamações do setor, não há data prevista para bares e discotecas poderem reabrir.

Posso viajar para o estrangeiro?

Dificilmente. Segundo a informação disponibilizada no portal oficial Covid-19 Estamos On, as fronteiras aéreas, ou seja, as viagens de avião para Itália estiveram encerradas até 20 de maio. No entanto, depois desta data e até ao dia 15 de junho mantém-se várias restrições nos voos de fora e para fora da União Europeia. As fronteiras terrestres com Espanha também vão continuar fechadas até 15 de junho e o prazo pode ser prorrogado, em função da evolução da pandemia.

Como saber o que posso fazer mais durante as férias?

Existe uma agenda prevista com datas para a reabertura da economia e o regresso a uma “nova normalidade” que pode consultar neste artigo ou no plano de desconfinamento do Governo.