Crédito

Vale a pena amortizar o crédito à habitação?

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Com as taxas de juro muito baixas – e, em alguns casos, negativas – é difícil convencer alguém a ponderar amortizar o seu empréstimo para a compra de casa. Apesar disso, pode ter lógica fazê-lo.

Data de publicação 2015 M10 26

A Euribor a três meses está em -0,05%, a seis meses em 0,02% e a 12 meses em 0,13%. São recordes mínimos em todos os casos.

A razão para as pessoas não amortizarem é intuição: se tiver uma poupança de lado, o juro que receberia numa aplicação de baixo risco – como um depósito a prazo – provavelmente seriam superiores aos juros que se deixariam de pagar no crédito à habitação. Mas não é bem assim.

Basta imaginar um exemplo. Uma pessoa que tenha dez mil euros amealhados pode fazer duas coisas: amortizar um crédito de 100 mil euros a 20 anos ou fazer sucessivos depósitos a prazo com esse pé-de-meia.

Se amortizar o empréstimo (reduzindo a dívida atual de 100 mil euros para 90 mil euros), baixa a prestação de 452 euros para 407 euros, assumindo a Euribor a seis meses como indexante e um “spread” de 0,8%. Assumindo que as taxas se mantêm, poupa 846 euros em juros nas duas décadas.

Se fizer um depósito a 12 meses, recebe provavelmente uma taxa anual bruta próxima de 0,45%, que é o valor para o qual os preçários dos maiores bancos apontam. Se as taxas se mantiverem durante 20 anos e o consumidor fizer sucessivos depósitos a 12 meses capitalizando os juros, acumulará 668 euros em juros líquidos. É menos 21% do que pouparia amortizando.

Há, no entanto, mais algumas razões para preferir amortizar o crédito:

1. Ficar mais tranquilo: Ter menos dívida ao banco pode ser tranquilizante. Regra geral, as pessoas preferem não dever dinheiro.

2. Pode ficar dependente menos tempo: Em vez de apenas amortizar o crédito, pode simultaneamente reduzir o crédito e solicitar a redução do prazo da dívida. No caso anteriores, seria possível diminuir o crédito em dois anos e um trimestre, mantendo a prestação mensal.

3. Fica liberto para novo crédito futuro. Caso tenha necessidade de solicitar novo empréstimo – e não só para compra de casa –, o seu banco terá a indicação que é um bom pagador, o que facilitará o processo.

Obviamente, também há razões contra a amortização. A maior é a possibilidade de capitalizar as poupanças a taxas superiores. Atualmente, por exemplo, é possível receber taxas anuais líquidas até 1,44% em depósitos não promocionais na banca portuguesa. Como esse nível, os dez mil euros ganham mais de 3.300 euros em 20 anos. Neste cenário, a decisão é muito pessoal: prefere ficar tranquilo com menos crédito durante muitos anos ou potencialmente mais rico quando o empréstimo se vencer?

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