Impostos

União de facto: compensa mais entregar IRS junto ou separado?

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As deduções e os rendimentos anuais de cada elemento do casal são os pontos que determinam qual a melhor opção.

Viver com uma pessoa em união de facto pode ter as suas vantagens, quando se trata de entregar a declaração de IRS. Se está na dúvida se deve entregar em conjunto ou separado, fique a saber que deve ter em conta dois fatores importantes: as deduções à coleta e os rendimentos anuais.

Em relação às deduções, entregar a declaração de IRS em separado pode vir a ser muito vantajoso. Isto porque, quando entregue em conjunto, existe um limite comum para cada tipo de dedução e, posteriormente, para as deduções em geral.

Se escolher entregar o IRS em separado, terá só para si o mesmo limite às deduções à coleta, enquanto o seu unido de facto terá também um limite próprio e igual ao aplicado caso a declaração fosse entregue em conjunto.

Por outras palavras, se optar por entregar a declaração de IRS em separado, terá o dobro das deduções à coleta, do que se tivesse entregue em conjunto. Desta forma, o regime acaba por compensar no caso de os dois unidos de facto terem elevadas despesas dedutíveis em nome dos dois, pois poderão deduzir o dobro do que deduziriam em conjunto.

Posteriormente, há que ter em conta os rendimentos. Partindo do pressuposto que tem rendimentos exatamente iguais ao do outro elemento do casal, entregar a declaração de IRS em separado ou em conjunto – sem contar com as deduções – não tem qualquer diferença. Isto porque, quando entrega em conjunto, ao somatório dos rendimentos anuais será aplicado um coeficiente que, depois, irá enquadrá-lo num escalão do IRS.

Exemplificando, se cada unido de facto declarar 25 mil euros anuais, o total seria 50 mil euros. Porém, como os rendimentos são divididos por dois para se aplicar a taxa de tributação, os 25 mil euros são o valor a ter em conta. Nesta lógica, se entregar em separado, acontecerá exatamente o mesmo.

Porém, se existe um dos membros do casal que declara um rendimento anual elevado (exemplo de 50 mil euros) e outro unido, por sua vez, um rendimento muito baixo (exemplo de 12.000 euros), entregar a declaração de IRS em conjunto poderá compensar. Assim é porque, em conjunto, a taxa incidirá sobre 31 mil euros (50.000 + 12.000 = 62.000 / 2 = 31.000 euros). Em separado, haveria uma tributação sobre os 50 mil euros e outra sobre os 12 mil euros, o que seria substancialmente pior.

Deste modo, na hora de decidir, não se esqueça de ter em conta estes dois pontos. As deduções são efetivamente importantes, mas a tributação sobre os rendimentos em separado ou em conjunto poderá ter um impacto superior. O melhor será mesmo simular as duas hipóteses e concluir por aquela que lhe é mais vantajosa.

Pode consultar o simulador desenvolvido pela PwC para saber o que lhe compensa.

 

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