Trabalho e carreira

Tudo o que precisa de saber sobre a Universidade

9 min

Quais os melhores cursos, médias de entrada, custos de propinas, alojamento e refeição e o que mudou por causa da pandemia. Veja este guia completo de acesso ao ensino superior.

Data de publicação 2020 M09 9

Esta é uma fase decisiva para muitos jovens, assim como para as suas famílias. Importa, não só, escolher o curso, tendo em conta os gostos, apetências pessoais, saídas profissionais e empregabilidade como avaliar custos - de propinas, alimentação e, se for o caso, alojamento - assim como ter em atenção tudo o que muda no contexto da pandemia.

Neste guia, o Contas Connosco procura dizer-lhe tudo o que precisa de saber sobre a universidade.

Quais são as datas das candidaturas de acesso ao ensino superior?

A 1ª fase do Acesso ao Ensino Superior 2020-2021 já se realizou e os resultados saem no dia 28 de setembro. Mas ainda vai a tempo. Faltam mais duas fases de candidatura: a 2ª fase de 28 de setembro a 9 de outubro e a 3ª de 22 a 26 de outubro. Os resultados são divulgados a 15 e a 30 de outubro, respetivamente.

Este ano, as datas são diferentes por causa da pandemia?

Sim, foram adiadas três semanas tendo em conta a pandemia e as alterações nas datas dos exames nacionais do ensino secundário.

Houve alterações na forma de cálculo da nota de acesso ao Ensino Superior?

Por regra, a fórmula de cálculo da média de acesso ao Ensino Superior tem em conta a nota final do ensino secundário e as provas específicas de ingresso em cada curso superior (com um peso entre 35% e 50%). No entanto, este ano, por causa da pandemia, os exames nacionais servem apenas como prova de ingresso. Por isso, a nota final do secundário tem apenas em conta a avaliação dos professores. Nos anos anteriores, era frequente as notas dos exames fazerem baixar as médias dos alunos, mas, uma vez que, este ano, não contam, era previsível que as notas de acesso fossem mais altas, assim como as médias de entrada no Ensino Superior.

Como é o acesso dos emigrantes ao Ensino Superior em Portugal?

Também houve alterações. Os alunos oriundos da comunidade emigrante candidatos ao ensino superior em Portugal passam a poder fazer o reconhecimento do ensino secundário nos países de origem. De acordo com o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em declarações à Lusa, até agora, um aluno emigrante ou descendente de emigrantes tinha que comprovar os seus conhecimentos do ensino secundário “praticamente por via presencial na escola secundária da sua origem ou da origem dos seus ascendentes”. O que, de acordo com João Sobrinho Teixeira, representava uma “dificuldade enorme” sobretudo quando vinham de fora da União Europeia. Atualmente,

“esse pedido pode ser feito à Direção-Geral de Educação ou nos serviços consulares a partir do país de residência”

, o que - garante o governante -  “vai agilizar o processo burocrático”.

Quais são os cursos com mais saídas profissionais em Portugal?

Apesar de uma Licenciatura não ser garantia de emprego, a verdade é que a escolha do curso pode ajudar.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e publicados no portal Infocursos, no ano 2019, houve menos recém-licenciados desempregados e mais cursos com desemprego zero. As três áreas com maior empregabilidade, em 2019, foram: Engenharia Informática, Enfermagem e Medicina. Quanto aos cursos, confira aqui os que dão maior garantia de emprego.

Devo escolher uma universidade pública ou privada?

Existem vários fatores que deve ter em conta: o curso e plano curricular que pretende seguir; os custos que cada uma das opções implica (propinas, alojamento, distância de casa, etc) e a taxa de empregabilidade. De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e publicados no portal Infocursos, em 2018, o ensino superior privado disponibilizou 16 cursos que garantiam emprego, enquanto o público teve 47. Já em 2019, estes números aumentaram para 29 cursos no privado e 39 no público. Quanto à taxa de desemprego associada, em 2018, no privado era de 4,1%, enquanto no público era de 3,4%. Em 2019, as taxas desceram para 3,9% no privado e 3,3% no público.

Quanto custam as propinas?

O valor é fixado todos os anos no início do ano letivo. Este ano, o valor é um dos mais baixos dos últimos anos. Após as negociações para o Orçamento do Estado 2020, o Governo anunciou uma descida de 20% face aos 871 euros do ano letivo anterior. Assim, tal como refere o site da Direção-Geral do Ensino Superior,:

“no ensino superior público, a partir do ano letivo de 2020/2021, o valor máximo da propina a fixar pelas instituições de ensino superior é reduzido de 871€ para 697€”.

Já no ensino superior privado:

“compete à entidade instituidora do estabelecimento de ensino fixar o montante das propinas e demais encargos devidos pelos estudantes”.

Quanto custa o alojamento?

Existem várias opções, dependendo das suas possibilidades financeiras ou do agregado familiar:

  1. Residências de estudantes: são alojamentos de baixo custo geridos pelas próprias universidades. O processo de candidatura é feito no início do ano letivo junto dos serviços de Ação Social dos estabelecimentos de ensino. As vagas são limitadas e, geralmente, difíceis de arranjar para novos alunos, uma vez que os que passam de ano costumam ocupá-las. Os alunos bolseiros têm prioridade. Por exemplo, na Universidade de Lisboa, segundo os serviços de ação social, atualmente existem 83 alunos alojados, dos quais 48 são bolseiros e 34 não são. Quanto aos preços, são muito variáveis, dependendo do tipo de alojamento (quarto partilhado, individual, suite, apartamento), das despesas incluídas (água, luz, gás, internet) e se pretende garagem. Para o alojamento da Universidade de Lisboa, existem preços desde os 74 euros a 1.500 euros por mês. Já no Instituto Superior Técnico, a tabela de preços varia entre os 450 euros por mês por um quarto individual e os 760 euros num apartamento T0. Se quiser garagem, acrescem 100 euros por mês por cada veículo.
  2. Arrendar quarto ou casa: a pensar na necessidade de avaliar custos, o Ministério da Ciência e do Ensino Superior em parceria com a Alfredo Real Estate Analytics, uma startup de inteligência artificial, criou o Observatório do Alojamento Estudantil. O site não lhe mostra os anúncios disponíveis, mas recolhe dados de cerca de 100 mil imóveis, por dia, e dá-lhe os valores médios praticados em cada freguesia e concelho. Na prática, permite-lhe ter noção se o valor que estão a pedir pela renda é caro, barato ou justo. À partida, compensará mais dividir uma casa - entre vários estudantes, por exemplo - do que arrendar um quarto, mas, tendo em conta a oferta variada, o melhor é fazer a avaliação por si.
  3. Repúblicas estudantis: em Coimbra, existem 28 repúblicas onde, segundo diz a tradição, “viver um ano são 100 anos de vida” e “todos os residentes são responsáveis pelas tomadas de decisão e pela gestão”. Os valores das repúblicas são variáveis e já foram simbólicos, mas, atualmente, existem rendas em torno dos 500 e 800 euros.
  4. Alojamento solidário: em algumas zonas do país, existem iniciativas que procuram dar resposta a dois problemas - a necessidade de alojamento por parte de jovens universitários com dificuldades financeiras e combater a solidão da população idosa. O projeto Lado-a-lado está localizado em Coimbra e o Laços para a Vida, em Évora. No entanto, no atual contexto da pandemia, poderão existir alguns entraves a este tipo de alojamento.

Quanto custa a alimentação?

Se optar por fazer as refeições nas cantinas das Universidades, pode sair mais barato. Na Universidade Nova de Lisboa, por exemplo, uma refeição social para alunos de licenciatura e mestrado custa 2,75 euros e uma refeição para alunos de doutoramento e docentes custa 4,75 euros. A refeição completa é composta por um prato, sopa, pão, uma bebida e uma sobremesa. Já na Universidade do Porto, o preço da refeição para estudantes é de 2,65 euros e de 4,05 euros para a refeição alternativa. 

No total, quanto custa estudar no Ensino Superior?

É difícil dizer, tendo em conta as diversas variáveis. De acordo com o estudo “O Custo dos Estudantes no Ensino Superior Português”, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, referente ao ano letivo 2015-2016, custa cerca de 6 mil euros por ano, cerca de 500 euros por mês. No entanto, desde essa altura, houve alteração de vários valores: as propinas baixaram, as rendas de casa aumentaram, os custos com alimentação subiram ligeiramente e com transportes também. Por isso, o melhor é fazer bem as contas.

É possível ter acesso a bolsas de estudo com apoio financeiro?

Sim. Os alunos inscritos em cursos técnicos profissionais, licenciaturas, mestrados ou mestrados integrados podem candidatar-se a bolsas de estudo. As candidaturas têm de ser apresentadas entre 25 de junho a 30 de setembro e podem ser feitas aqui

Que outras alternativas existem em termos financeiros?

Outra hipótese é pedir um empréstimo para contemplar os custos com educação. Existem várias soluções no mercado como o crédito formação, que pode funcionar como um complemento mesmo que tenha acesso a uma bolsa de estudo. Muitas vezes, estes créditos destinados à educação são bonificados, ou seja, permitem-lhe ter acesso a financiamento com taxas de juro mais acessíveis. Por isso, podem ser uma boa opção para apostar na sua formação - ou dos seus filhos -,  continuar a ter algum rendimento disponível, por mês, e ter um orçamento mais desafogado.

Como vão ser aulas por causa da pandemia?

Tal como nas escolas secundárias, também no Ensino Superior a regra passa pelas aulas presenciais. De acordo com um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, enviado às redações, deve-se:

“garantir o ensino e a avaliação presencial como dimensão essencial da educação superior”

e “assumir como objetivo” que se mantenham como regra. Para isso - diz o Ministério - os horários devem ser alargados, nomeadamente, incluir aulas ao sábado. A tutela defende ainda que se “promovam campanhas de testes virais” e “estudos imunológicos com base em rastreios serológicos“ e sugere que as instituições aproveitem os meios dos próprios centros de investigação e testem, sobretudo, os alunos alojados em residências de estudantes. Tal como os restantes estabelecimentos de ensino, as universidades e politécnicos têm que garantir “medidas de reforço do distanciamento físico, higienização e desinfeção das instalações” e ir atualizando os planos de contingência em função da evolução da pandemia.

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