Crédito

Solvabilidade: o que muda na concessão de crédito?

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Os bancos têm novos critérios para decidir se concedem um crédito a um cliente. Se pretende pedir um crédito, saiba como será avaliada a sua situação.

O mesmo cliente que conseguia um crédito há um mês, pode já não o conseguir hoje, sem que nada se tenha alterado na sua situação financeira. Isto porque o Banco de Portugal publicou novas recomendações às instituições financeiras no âmbito da celebração de novos contratos. São medidas que alteram as regras da concessão de crédito aos consumidores. Eis o que precisa de saber:

O objetivo das novas medidas passa pela “adoção pelo sistema financeiro português de critérios de concessão de crédito prudentes” de forma a que “as famílias obtenham financiamento sustentável, minimizando o risco de incumprimento” e a “garantir a resiliência” das instituições de crédito.

A partir de agora, as instituições de crédito têm regras para avaliar a solvabilidade dos clientes, e só devem dar crédito quando se verifique que o consumidor pode cumprir com todas as obrigações decorrentes do contrato.

A situação dos consumidores passará a ser avaliada pela taxa de solvabilidade, isto é, a capacidade do devedor para cumprir as suas dívidas, de acordo com três pontos fundamentais:

  • As características do contrato e do consumidor, em que são avaliadas - por exemplo - a idade e a situação profissional do consumidor e o cumprimento ou incidentes noutros créditos;
  • Os rendimentos líquidos, como o salário, remuneração por prestação de serviço ou prestações sociais com caráter regular;
  • E as despesas, que vão ter em conta a totalidade das prestações com créditos e ainda as despesas mensais declaradas ou estimadas dos consumidores.

O aviso não é aplicável a todos os créditos. Ficam de fora os contratos de baixo montante (inferior a 5.800 euros).

Posto isto, deixamos-lhe três conselhos:

Não espere que o banco recuse o crédito. O interesse em fazer um crédito responsável deve partir de si, avaliando se tem ou não capacidade para assumir uma responsabilidade. A sua taxa de esforço não deve ir além dos 50%.

Se vai comprar casa, não se guie apenas pelo spread. Quando fizer simulações ou pedir propostas a vários bancos, compare também a TAEG – que indica quais vão ser os custos totais associados ao crédito por ano.

Considere a taxa fixa no crédito habitação. Se quer proteger-se contra as subidas esperadas da Euribor – previstas pelos especialistas – considere fazer um crédito a taxa fixa, que garante uma prestação constante.

Ter um crédito responsável e sustentável começa por si.