Crédito

Saiba como renegociar um empréstimo

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Conheça alguns dos passos que deve ter em atenção se pretender renegociar o seu crédito e pagar menos.

O desemprego, a redução de salários e dos apoios sociais tem feito com que cada vez mais famílias tenham dificuldades em pagar os seus empréstimos. Por vezes, para evitar situações de incumprimento, o caminho passa por renegociar os créditos.

O aumento do incumprimento e o risco de não conseguirem recuperar o crédito são apontados, por alguns especialistas, como as principais razões para as instituições financeiras estarem mais disponíveis para renegociar com os seus clientes.

“Vemos claramente que a abertura à negociação aumentou”, explica Rui Bairrada, ‘managing partner’ da Dignus Capital, empresa especializada na renegociação de créditos. Isto acontece “não por imposição legal mas por imposição económica e financeira”, acrescenta.

No entanto, é importante perceber que certos créditos são mais fáceis de renegociar que outros. Por exemplo, as condições dos créditos habitação celebrados há mais de quatro anos, quando os ‘spreads’ (a taxa de juro que acresce à Euribor) estavam perto de 0%, são mais difíceis de alterar devido ao aumento recente dos ‘spreads’. As renegociações que têm tido mais sucesso são em créditos com taxas perto dos 20%, que permitem dar uma maior margem negocial às instituições financeiras.

Seja qual for o tipo de crédito, há certos pontos a considerar que o vão ajudar a ter mais sucesso:

  • Fazer as contas. Primeiro, deve-se sempre começar por uma análise rigorosa da sua situação financeira e ver onde é possível fazer mais cortes. Mostrar às instituições financeiras que se está disposto a fazer alguns sacrifícios.  
  • Ser honesto. Esconder a verdade do seu gestor de conta não o vai ajudar e pode até colocá-lo numa situação ainda pior. E quanto pior estiver a sua situação, mais difícil é renegociar os empréstimos. Se possível, aconselhe-se com um consultor independente de empresas como a Dignus Capital ou a Exchange, por exemplo.  
  • Mudar de estilo de vida. Uma renegociação dos empréstimos tem como principal objectivo garantir as despesas essenciais e cumprir com todos os seus contratos. Manter o mesmo estilo de vida pode trazer consigo graves problemas no futuro próximo, dado que o aumento do prazo do empréstimo significa também um aumento do montante total de juros a pagar.  
  • Reduzir taxas de juro. Por fim, é importante partir para uma renegociação com o intuito de reduzir as taxas de juro em vez de aumentar o prazo de pagamento. Sendo que tem sido tradicionalmente difícil nos créditos habitação, é mais fácil fazê-lo nos créditos pessoais e nos créditos ao consumo.

Com a ameaça futura do eventual aumento das taxas Euribor, atualmente num nível historicamente baixo, o esforço das famílias portuguesas no pagamento das prestações poderá vir a tornar-se ainda mais complicado. Assim, “o importante é a família assumir as rédeas das suas finanças, analisar com rigor todas as suas despesas e partir para a renegociação”, recomenda Rui Bairrada. “O não está sempre garantido, pelo que temos de tentar sempre”.

 

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