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Saiba como escolher um depósito a prazo

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Acumulou alguma poupança e pretende aplicá-la num depósito a prazo? Saiba o que deve ter em atenção antes de tomar uma decisão.

A maioria dos portugueses é conservadora a investir. Prefere, por exemplo, colocar o dinheiro num depósito a prazo e rejeitar alternativas mais arriscadas, como é o caso das ações cotadas em bolsa. Acontece que na escolha de um depósito, como em qualquer outra opção, é necessário dar atenção a alguns aspetos antes de tomar uma decisão. Para que a poupança cresça, sem sobressaltos, nem surpresas desagradáveis.

Antes de mais, é necessário compreender que o dinheiro entregue por um cliente a um banco não fica guardado num cofre, à espera que o prazo da aplicação expire e os recursos aplicados possam ser reavidos. Constituir um depósito num banco corresponde a emprestar dinheiro à instituição financeira escolhida. Isto é, um depositante é um credor do banco, o que exige, à partida, que o cliente se informe sobre a saúde da entidade financeira em causa.

Nem sempre as taxas de juro mais elevadas em oferta no mercado equivalem apenas à prática, pelos bancos, de políticas comerciais mais agressivas. Há casos em que as promessas de remunerações mais altas são um sinal de dificuldades de obtenção de financiamento por outras vias, nomeadamente através do mercado interbancário, onde as instituições financeiras emprestam dinheiro entre si.

Depois, há que pesar a diferença entre a taxa bruta que lhe é oferecida e aquilo que, de facto, vai receber. Os juros dos depósitos estão sujeitos a imposto sobre os rendimentos das pessoas singulares, conhecido pela sigla IRS. Quem seja residente em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira terá de subtrair aos juros 28% de IRS. Na Região Autónoma dos Açores, a taxa do imposto é menos penalizadora. Situa-se, atualmente, em 22,4%. Faça as contas e fique a saber qual a taxa de juro líquida de impostos, o que lhe permitirá saber quanto dinheiro irá, realmente, receber em juros, em contrapartida do empréstimo que está a fazer ao banco.

Não esqueça a inflação e os danos que esta pode fazer ao seu dinheiro. Se a taxa líquida que vai obter com o depósito é inferior ao ritmo de crescimento dos preços previsto, então isto significa que o dinheiro de que disporá no final do prazo da aplicação terá um menor poder de compra do que aquele tinha quando decidiu fazer a aplicação. Se quer saber qual a inflação prevista, consulte as projeções elaboradas por entidades independentes como o Banco de Portugal, o Fundo Monetário Internacional ou a Comissão Europeia.

No mercado há vários bancos em competição e que ficarão agradecidos por receberem o seu dinheiro. Mas, antes de se deixar embalar pelas estratégias de "marketing" ou pela preguiça de fazer o depósito junto da instituição com a qual trabalha habitualmente, faça comparações. Consulte diferentes bancos, conheça as taxas de juro que estão dispostos a oferecer e faça, depois, a sua opção. 

Tenha um cuidado. Há situações inesperadas na vida e que podem levar à necessidade de mobilizar o dinheiro que colocou no depósito antes de se esgotar o respetivo prazo. Informe-se se a mobilização antecipada é possível e se, em caso afirmativo, existe alguma penalização que irá amputar uma parte do dinheiro que lhe custou tanto a poupar.