Crédito

Saiba como a subida ou descida da Euribor afecta as suas prestações

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Para calcular a sua prestação deve ter em conta a média mensal da Euribor e não pode ser de qualquer mês.

Já ouviu falar na Euribor? Certamente que o nome não lhe é estranho. A Euribor não é mais do que uma taxa de mercado que é utilizada pelas instituições financeiras como referência para a prestação da casa ou do carro, dependendo da finalidade do empréstimo e se este tem taxa variável (e não fixa como acontece na maioria dos contratos de crédito ao consumo, onde paga sempre o mesmo e a taxa não se altera até ao fim do contrato).

A Euribor é uma taxa utilizada sobretudo no crédito à habitação. Apesar de a Euribor ter vários prazos, os créditos à habitação estão, essencialmente, indexados à Euribor a três ou seis meses. Isto é, o juro que irá pagar ao banco resulta da Euribor mais o ‘spread’ (margem que os bancos acrescentam a uma taxa de referência e que, no fundo, é o lucro da instituição bancária), sem contabilizar outras comissões.

Para calcular a prestação da casa não é tida como base a cotação diária da Euribor, mas sim da média mensal desta taxa de juro. Esta é a razão pela qual quando a Euribor sobe num dia ou desce noutro. Estes movimentos não têm efeitos imediatos na prestação da casa. É a média mensal da Euribor que vai interferir com o valor da prestação. Desta forma, se quiser calcular a prestação da casa terá de fazer a média aritmética das cotações diárias e dividir pelo número de dias. Ao chegar a um valor já sabe qual é a média mensal desse mês. No crédito à habitação tem sempre efeito a média mensal do mês anterior ao da revisão.

Se não quiser fazer as contas basta consultar o portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal e facilmente ficará a conhecer a média mensal de cada uma das taxas Euribor.

Não adianta pensar se a média mensal da Euribor caiu ou desceu em Abril, o que só teria efeitos em quem revê o contrato em Maio, se a sua revisão é só em Dezembro. Terá, por essa razão, de saber a periodicidade da revisão da sua prestação e, para isso, basta saber qual o indexante.

Se for a Euribor a três meses, significa que o seu contrato é revisto trimestralmente, se é a Euribor a seis meses, apenas de seis em seis meses. Se for a Euribor a 12 meses, apenas terá uma revisão por ano. E no mês que for fazer a revisão será tida em conta a média mensal do mês anterior. Ou seja, se a revisão do seu contrato é feita em Outubro, o banco irá calcular a média mensal da Euribor do mês de Setembro (seja a taxa com um prazo de três ou seis meses). Isto porque existe uma cotação diária das taxas Euribor independentemente do prazo.

Para que perceba o impacto que a subida ou descida da Euribor pode ter na sua prestação veja um exemplo concreto de um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos. No caso, é utilizada a Euribor a seis meses (a média mensal) acrescida de um ‘spread’ de 1% (não foram contabilizadas outras comissões, como seguros de vida, etc).

Assim poderá ver as diferenças na prestação do empréstimo de quando a média mensal da Euribor esteve em máximos, nos 5,219%, no final de 2008, em comparação com os 0,371% em Dezembro de 2013, e que serviu de referência para as revisões feitas em Janeiro de 2014.

Segundo o nosso exemplo, com os valores atuais da Euribor em 0,371% a prestação da casa ronda os 339 euros. No entanto, quando a  Euribor esteve em 5,219% a prestação do mesmo empréstimo chegou a atingir os 614 euros. Ou seja, uma diferença de 275 euros que acabou por ser sinónimo de ruptura financeira para muitas famílias.

Os economistas consideram muito improvável a Euribor voltar a atingir valores tão elevados. No entanto, quando pede um empréstimo deve ter sempre atenção à simulação com mais dois pontos percentuais. Ou seja, ver neste caso quanto seria a prestação se a Euribor atingir os 2%. Segundo os cálculos do Contas Connosco seria de 420 euros. O ideal é manter sempre uma margem de segurança para garantir que, mesmo a Euribor subindo, continuará a ter capacidade de pagar o empréstimo.

Já numa situação de descida da Euribor, poderá aproveitar a poupança conseguida para construir um fundo de emergência para situações imprevistas. 

 

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