Poupar

Quer poupar? Conheça um dos métodos mais populares

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Existem muitas formas de constituir uma poupança, mas nem todas são fáceis de gerir ou de dar bons resultados. O método 50-30-20 é simples e muito eficaz.

Data de publicação 2021 M08 10

Não é fácil chegar ao final do mês ou do ano e ter uma boa quantia de dinheiro guardada, pronta a dar resposta a uma emergência ou a acumular para um projeto futuro. Ter um objetivo para o dinheiro em mente é, aliás, um bom motivador para a poupança, mas em tudo é importante ter um método. Um dos mais conhecidos em todo o mundo é o 50-30-20, que ajuda a ‘dividir’ toda a nossa vida nesses três números. Conheça melhor este sistema e tente aplicá-lo às suas finanças.

Sabia que o método 50-30-20 foi criado pela senadora democrata americana Elizabeth Warren? A ‘guru’ das finanças pessoais descreveu-o no livro All Your Worth, de 2005, que escreveu com a filha Amelia.

1. Caça às despesas para começar

Para se preparar para pôr a fórmula 50-30-20 em marcha deve tentar encontrar e apontar todas as suas despesas. Sejam diárias, semanais ou mensais. Quanto mais detalhada for essa listagem e os valores apontados - ainda que haja sempre variações, como nas faturas da luz ou da água – o mais fácil será criar o plano e melhores serão também os resultados. Um exemplo: um café é das despesas pequenas mais comuns que temos, mas se beber um por dia a 70 cêntimos ao sair de casa de manhã, isso facilmente representa mais de 200 euros ao fim de um ano, e isto não contando todos os sete dias da semana. Ou seja, 70 cêntimos parece não influenciar muito o orçamento, mas 200 euros já faz ver as coisas de outra forma.

2. É tempo de fazer a divisão 50-30-20

Segundo Elizabeth Warren, os nossos rendimentos devem ser divididos em três fatias de tamanhos diferentes, três percentagens. Metade são as ‘necessidades’, as despesas que não conseguimos evitar; 30% são os ‘desejos’, os gastos que temos em produtos ou serviços sem os quais conseguiríamos sobreviver, mas que valorizamos muito para a nossa vida; e finalmente 20% são as ‘economias’, aquilo que vamos poupar do salário se conseguirmos implementar a estratégia. Tem aqui alguns exemplos de necessidades e desejos:

Necessidades

  • Despesas da habitação;
  • Contas de serviços da casa como energia, eletricidade, comunicações e televisão;
  • Despesas de supermercados e mercearias;
  • Gastos inevitáveis em restauração ou cafés;
  • Transportes;
  • Impostos;
  • Prestações de crédito.

Desejos

  • Atividades culturais como cinema, teatro, exposições;
  • Mercearias não essenciais ou de marcas com preços mais elevados;
  • Jantares e almoços fora, ou despesas no café;
  • Serviços de streaming de televisão ou música;
  • Pacotes de internet ou de dados móveis mais caros;
  • Roupa e calçado;
  • Ginásio, cabeleireiro;
  • Férias, fins-de-semana fora.

Basicamente, imagine que na sua família o rendimento mensal do casal é 1.900 euros. Seguindo o método 50-30-20, 950 euros ficam para as despesas essenciais, 570 euros para os desejos e 380 euros representam a poupança conseguida. Nada mau, não?

3. Como definir os 50% e os 30%?

Chegar às duas percentagens é o mais difícil, principalmente porque as despesas da casa representam frequentemente uma fatia muito grande do salário dos portugueses, seja uma renda ou a prestação de um crédito à habitação. Se chegou à conclusão de que as necessidades ficam acima de 50% e que os desejos também valem mais do que 30%, é altura de ‘negociar’ - com a família ou consigo mesmo.

Primeiro, concentre-se na metade inicial das despesas e veja o que consegue reduzir, ou então aquilo que pode passar a gerir de outra forma na fatia dos desejos. Se calhar está na altura de rever os seus contratos de energia ou de telecomunicações, para ver se descobre uma oferta mais barata na concorrência. Ou então, uma parte das deslocações que faz pode ser feita a pé ou de transportes públicos sem grande perda de tempo, baixando o segmento dos transportes nas despesas.

Se trabalha em casa, um bom serviço de internet provavelmente é uma necessidade. Já o uso do carro, se não for essencial, pode tentar colocá-lo e controlá-lo melhor na fatia dos desejos.

Agora está na altura de olhar com atenção para os desejos. Precisa mesmo de dois serviços de streaming? Não consegue levar almoço para o trabalho mais vezes ou reduzir os jantares de fim-de-semana? E que tal começar a fazer exercício físico em casa ou, melhor ainda, no parque que tem ao pé de casa?

Já sobre as poupanças, na prática é o que sobra, que preferencialmente deve representar 20%, para que a fórmula fique correta. No entanto, se ao longo do ano usar algum dinheiro para amortizar um crédito, que vá além da prestação mensal habitual - como pagar a totalidade de uma dívida do cartão -, esse valor pode considerá-lo no bloco das poupanças.

4. E as despesas anuais?

Este é o ponto mais complicado. Está a gerir um orçamento mensal, mas ao mesmo tempo tem de acomodar tanto as variações de despesas (mais energia no outono e no inverno, mais refeições fora no verão) como os gastos que acontecem normalmente uma ou duas vezes por ano, como o seguro do carro, o IUC ou o IMI. Já os rendimentos - se tem um salário fixo - têm um aumento na altura do verão e do Natal, com o pagamento dos subsídios, mas isso não significa que acertem com as tais necessidades extra.

O ideal é conseguir fazer um planeamento mensal do orçamento familiar, mas a contar também com as despesas que não são regulares, e que frequentemente têm um valor elevado quando comparado com a conta da água ou uma ida ao supermercado. Assim, divide os rendimentos totais (incluindo os subsídios) pelos 12 meses, e divide também o valor do seguro ou do IUC pelos 12 meses também. O mesmo com mensalidades de escolas, que normalmente são pagas apenas a 10 ou 11 meses, mas cuja matrícula também tem custos. O dinheiro para estas despesas que são antecipadas no orçamento deve ser colocado de lado todos os meses, para não baralhar as contas mensais nem a poupança.

Tente pôr pagamentos ocasionais, como o seguro do carro, nas despesas mensais. Basta dividir o valor anual por 12, e reservar esse dinheiro até à data, para manter a poupança de 20%.

Ao fazer isso, tem uma noção real das despesas que suporta ao longo do ano, e não tem surpresas que o levam a ter de ‘ir às poupanças’. Esta é, aliás, outra regra da fórmula 50-30-20: mesmo que não tenha um objetivo definido, o que está a fazer é constituir uma poupança. Portanto, se surgir uma emergência - é também para isso que esse dinheiro serve -, na sua mente deve estar logo presente a reposição do valor retirado.

5. E se eu chegar à conclusão de que só consigo guardar 15%?

Claro que a poupança depende da capacidade financeira, força de vontade e estabilidade de cada um. Alguém com rendimentos muito variáveis, de trabalho independente, terá mais dificuldade em definir as três percentagens. E normalmente as despesas com a casa são mais difíceis de suportar nos grandes centros urbanos, ao passo que os salários podem ser os mesmos.

Mas mexer na fórmula 50-30-20 acaba por tirar-lhe o sentido, transforma-se noutro método, que também os há. No 80-20, por exemplo, automaticamente tira 20% do rendimento todos os meses logo que este chega à conta bancária, mas sem planeamento pode tornar-se difícil gerir os outros 80%. Já no método ‘sem método’ deve ter as suas despesas regulares sempre na cabeça, para fazer uma gestão do dinheiro apenas com base no controlo do saldo bancário. Se for uma pessoa bastante disciplinada, com esta estratégia vai colocando dinheiro de parte sem estar preso a datas ou quantias definidas para a poupança.

Seja 1, 10 ou 100 euros, todas as semanas, todos os meses ou só de vez em quando, poupar é fundamental. É garantir que conseguimos viver com mais tranquilidade, a depender apenas de nós próprios. Mas cada caso é um caso, tanto ao nível dos rendimentos como da capacidade de cada um. Experimente o método 50-30-20 ou, se chegar à conclusão de que não está a resultar, procure um sistema mais adequado, ou um terceiro se for preciso. Mas não desista, vai ver que vale a pena.