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Quer comprar uma moto? Veja o que precisa de saber

9 min

Trocar o carro por uma moto é algo em que muitos condutores pensam quando estão no trânsito. Mas não basta chegar ao concessionário e escolher. O Contas Connosco esclarece algumas das principais dúvidas.

Data de publicação 2021 M10 27

Para muitos condutores, comprar moto é regressar a um veículo que já conduziram quando eram novos, para outros é uma aventura que começa já com uma família constituída. Sem esquecer os jovens que procuram maior independência. As motos têm um consumo de combustível bastante inferior aos automóveis e na altura de estacionar, ocupam menos espaço e não necessitam de parquímetro. Os motociclos continuam a ser uma boa opção, principalmente no trânsito congestionado das cidades.

Explicamos vários fatores que deve ter em atenção antes de pesquisar as melhores motos e ‘pôr o capacete’.

Quer comprar moto para quê?

Esta é a primeira pergunta que deve fazer, e que influencia completamente tudo o resto. Pretende comprar uma mota para deslocações mais longas e até alguns passeios, ou essencialmente quer atravessar o trânsito mais rapidamente? Vai andar em autoestradas - nem que seja só muito de vez em quando - ou as suas necessidades passam apenas por meia dúzia de quilómetros, seja em cidade ou fora dela? É só para estradas de alcatrão, ou quer fazer algum ‘todo-o-terreno’?  Vai andar sempre sozinho ou é para dar uma boleia também? Tem onde guardar o capacete ou precisa mesmo que fique no espaço de arrumação da moto?

As respostas acabam por ajudá-lo a decidir se precisa de uma pequena scooter de 50cc ou se é melhor outro motociclo mais potente. Também o deixam mais alerta para questões que vão além do design da moto, como o espaço de arrumação (maior nas scooters), que pode ser aumentado com uma mala fixa atrás; o tamanho e conforto do banco, para uma ou duas pessoas; o tamanho do depósito e consequente autonomia; a largura máxima da mota (para passar melhor o trânsito).

Preciso de carta?

Se nunca andou de moto, mas tem carta de condução de automóveis, já está a meio caminho, mas não pode comprar e conduzir qualquer uma. As mais potentes exigem uma carta específica. Existem 4 categorias de licenças para conduzir motos:

  • Categoria AM

Aos 14 anos já se pode - com autorização assinada dos pais - ter uma licença de condução. Está limitada a ciclomotores e motociclos com uma cilindrada máxima de 50cc (ou 4kW) e velocidade até 45 km/h. Para ter essa licença é necessário fazer 15 horas de formação teórica e prática. E não se pode transportar um passageiro nem circular na autoestrada.

  • Categoria A1

Motociclos com uma cilindrada de 50cc até 125cc e potência até 11kW já requerem a carta A1. Podem ter um passageiro, mas não ao lado, em sidecar. Os condutores de automóveis (categoria B) com mais de 25 anos passam automaticamente a poder utilizar estes motociclos. Quanto aos restantes, podem tirar esta carta a partir dos 16 anos; deixam de precisar de fazer exame de código na altura de tirar a carta de carro; e ao fim de dois anos com a A1 podem fazer aulas e exame prático para aceder à A2.

  • Categoria A2

Esta carta já permite conduzir motociclos de variadíssimos estilos - scooter, cross, turismo, desportivo - com uma ampla gama de cilindradas, desde que não ultrapassem os 47 cavalos ou 35kW de potência. Pode tirar-se a carta A2 a partir dos 18 anos e os titulares da categoria A1 dispensam as aulas teóricas.

  • Categoria A

Para os fãs das melhores motos, seja em potência ou capacidades, a categoria A é a que permite conduzir qualquer veículo de duas rodas. Os condutores de automóveis têm de fazer aulas e exame tanto teórico como prático para ter acesso a esta licença; os titulares da categoria A2 podem passar para a A ao fim de dois anos, depois de fazerem aulas e exame prático; e quem não tiver qualquer licença precisa de ter mais de 24 anos para tirar a carta completa, com formação teórica e prática.

Para tirar a carta de condução conte gastar algumas centenas de euros - mesmo para a categoria AM -, sabendo de antemão que há outros custos como o preço dos exames, da emissão de licenças ou de documentos necessários, como um atestado médico. Se está a pensar que se calhar já vai ter de reduzir o orçamento, e escolher uma mota menos potente ou em segunda mão, pode sempre pedir um crédito para moto. Sabendo que normalmente o financiamento para moto necessário será inferior ao de um carro, consegue pagar em mensalidades adaptadas ao seu orçamento. No caso da Cofidis, não precisa de dar entrada para ter um empréstimo para moto, não paga comissão de abertura, não há reserva de propriedade - a mota estará logo em seu nome - e a adesão é 100% digital.

Moto nova ou usada?

Aí vai ter de pensar no seu dia-a-dia - se opta normalmente por artigos em segunda mão ou se prefere tudo novo - e confiar nos seus instintos. Uma moto nova custa mais dinheiro, mas não está isenta de riscos. E uma moto usada pode ter dezenas de milhares de quilómetros e a pintura gasta, mas durar outros tantos ou mais. Ainda assim, se nunca andou de mota, deve sempre optar por uma mota mais pequena e menos potente, para se habituar primeiro, perceber que as ‘duas rodas’ são mesmo para si, e depois avança para outro modelo. Uma scooter, sem mudanças e com bom espaço de arrumação, é sempre uma boa opção para começar.

Há algumas coisas que pode e deve ter em atenção antes de comprar uma moto usada:

  • Confirme a documentação e número de quadro do veículo;
  • Faça sempre um teste de condução, para despistar alguns problemas;
  • Desconfie de poucos kms numa mota antiga ou gasta; ou de muitas peças novas, que podem ser sinal de acidente;
  • Uma mota com poucos kms em muitos anos pode ser um achado, mas deve precisar de uma revisão completa, com troca de líquidos e algumas borrachas;
  • Cuidado com motos alteradas, que podem parecer muito bem, mas esconder mudanças ilegais que levam a multas;
  • Se encontrou duas ou três motos que lhe interessam, pesquise online sobre manutenção, problemas que outros donos tenham tido ou mesmo a fiabilidade da marca/modelo;
  • O valor dos extras é relativo, principalmente se não lhe interessam muito, pelo que não deve fazer subir demasiado o preço;

Se está a pensar fazer um crédito e acha que para isso tem de comprar uma mota nova, não precisa de se preocupar. Na Cofidis um financiamento para moto pode ser aplicado a veículos novos ou usados. Se pedir 5.000 euros para uma mota, por exemplo, vai pagar 86,68 euros em 72 mensalidades caso se trate de um veículo novo (TAEG 8,9%; TAN 7,30%; MTIC 6.372,96€) ou 93,25 euros, no mesmo período, para uma moto usada (TAEG 11,8%; TAN 9,85%; MTIC 6.846,00€).

As motos elétricas compensam?

Depois de alguma demora - devido ao peso/capacidade das baterias -, as motas elétricas estão definitivamente a acelerar no mercado e as principais marcas preparam-se para lançar modelos deste tipo ou versões elétricas de outros modelos que já têm. A autonomia é normalmente inferior à de uma moto a gasolina, mesmo com um tanque pequeno, e a velocidade máxima também é mais baixa. No entanto, para a utilização em cidade, uma autonomia de 80km ou 100km é mais do que suficiente para vários dias, e os limites de velocidade urbanos também não dão para corridas.

Se tiver uma garagem ou um local que torne fácil o carregamento da bateria de uma mota elétrica, o valor extra a pagar pelo veículo poderá ser facilmente recuperado, com a poupança face à gasolina. Além disso, existe um incentivo do Estado de 350 euros para a compra de um motociclo elétrico. Pesquise na internet e ficará surpreendido com a variedade que já existe, desde scooters a cafe racers ou modelos desportivos.

E o seguro?

Tendo em conta o valor do veículo, o seguro para uma moto terá custos inferiores ao de um carro. No entanto, tendo em conta o risco maior de circular desprotegido, e as lesões que podem acontecer quer de uma simples queda, quer de um embate noutro veículo, o prémio a pagar pode não ser assim tão baixo. Por outro lado, o valor pode ser agravado pela idade da pessoa que fica titular do seguro, se tiver menos de 25 anos, ou pela morada. Ou seja, as motos são frequentemente veículos de cidade, e sem garagem, o que aumenta o risco quer de acidentes quer de roubo.

A moto precisa de inspeção?

Aqui está outro pormenor que deve ter em atenção. Neste momento, as motas ainda não vão à inspeção, mas isso está prestes a mudar. O Governo pegou num decreto-lei de em 2012 - que não chegou a entrar em vigor - e prepara-se para exigir a inspeção para todos os motociclos acima de 125cc. A medida deverá ser implementada a partir de janeiro de 2022, seguindo os mesmos moldes dos automóveis ligeiros de passageiros: primeira inspeção ao fim de 4 anos da data de matrícula; duas inspeções nos 4 anos seguintes (aos 6 e 8 anos da moto); e inspeção anual a partir do 8.º ano de matrícula.

Desta forma, se está a pensar comprar mota nos próximos tempos, já sabe que uma cilindrada de 125cc ou superior vai exigir inspeção no futuro. Por outro lado, apesar de todos os veículos de duas rodas acima de 120cc terem IUC anual a pagar, os valores abaixo de 10 euros não são cobrados. Para motociclos até 250cc (5,83€) e depois até 350cc (8,10€), o IUC é automaticamente considerado pago.

O que é preciso comprar mais?

Já percebemos que o investimento não é só na mota, mas o que falta comprar para se fazer à estrada? Há uma coisa essencial, e obrigatória por lei: o capacete. Um capacete pode custar menos de 100€ ou várias centenas, e não é de todo recomendável escolher o mais barato que encontrar. Depois, há uma série de artigos que é bom ponderar, para si e para a mota, principalmente se não tiver uma garagem ou lugar em parque.

  • Um casaco com proteções interiores, para prevenir lesões nas costas ou braços em caso de queda;
  • Luvas de proteção, possivelmente dois pares, um para o inverno e outro mais para a primavera;
  • Umas calças ou fato completo de chuva, para poder circular nos dias cinzentos com roupa ‘normal’ por baixo;
  • Uma balaclava para maior isolamento do pescoço e cabeça nos dias e noites mais frios;
  • Botas/ténis para motos com troca de mudanças, ou então protetor removível para o pé que muda a velocidade;
  • Um bom cadeado para prender a roda, e também outro para o disco do travão. Segurança nunca é demais;
  • Uma capa ou cobertura para quando a mota fica parada algum tempo.

Tudo somado, são facilmente umas centenas largas de euros que deve gastar para circular em segurança, e para deixar a sua moto em segurança também. Deve fazer bem as contas ao que precisa de gastar e perceber como fica o seu orçamento.

Convencido? Ponha o capacete e faça-se à estrada!