Direitos e Deveres

Os seus filhos brincam na rua?

3 min

Há cada vez mais estudos que comprovam que brincar de forma livre e em contato com a Natureza é essencial para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças. Perceba porquê.

Data de publicação 2020 M02 6

Brincar às escondidas, à apanhada, ao jogo da macaca, andar de baloiço e de escorrega, correr entre as flores do jardim e descansar à sombra de uma árvore… Quantas crianças fazem isto? 

"Hoje em dia, as crianças passam pouco tempo na rua especialmente durante a semana”, garante Ana Passos Sousa, psicóloga clínica. “Se, numa semana, uma criança de idade pré-escolar passar 2 horas em contacto com a natureza já é espectacular. As crianças saem de casa, entram no carro, saem do carro, entram na escola, saem da escola, vão para casa”.

De acordo com as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS), a atividade física, como jogos e brincadeiras, deve começar logo no primeiro ano de vida. Para bebés e crianças com 1 a 2 anos, o ideal são 3 horas por dia e, dos 2 aos 5 anos, as mesmas 3 horas, mas com uma delas dedicada a atividades fisicamente mais intensas, como correr. Segundo a DGS, o exercício físico está diretamente relacionado com indicadores de saúde como acumulação de gordura, saúde óssea, cardíaca, desenvolvimento cognitivo e motor.

Vários estudos realizados pela Children & Nature Network -  uma rede de educadores, escritores e pessoas de várias comunidades fundada em 2006 com o intuito de promover a ligação das crianças à Natureza - relacionam a privação do contato com o ar livre com o aumento de problemas de saúde como a obesidade, défice de atenção, depressão, entre outros.

Ana Passos e Sousa também considera que o cada vez menor contato das crianças com a Natureza “é prejudicial a todos os níveis”. Através da sua experiência como psicóloga clínica e diretora de um jardim de infância, tem constatado que existem “crianças com menor desenvolvimento motor” e com um “desenvolvimento físico, cognitivo e emocional muito comprometido”. “Hoje em dia, é cada vez mais comum ver crianças que não sabem correr, saltar à corda ou atar os sapatos”, afirma. “Temos níveis de obesidade muito superiores aos que existiam há uns anos, assim como a diabetes tipo 2, que começa a aparecer mais cedo quando antes era residual. Também é comum termos crianças com mais dificuldade de relacionamento e em lidar com a frustração”.

“Os benefícios de brincar na rua são muito superiores aos riscos”

Foi por lidar com esta realidade de perto que Ana Passos e Sousa, psicóloga e mãe de três crianças, resolveu lançar, em Março de 2019, o projeto “Vamos Brincar na Rua”, em parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade: “Moro em Alvalade e comecei a sentir que era difícil os meus filhos irem brincar para a rua porque não tinham com quem brincar. Por isso, juntei-me a outras duas mães e decidimos lançar este projecto para que as crianças ganhassem autonomia. Lançámos sessões mensais de brincadeira na rua para que as pessoas se pudessem conhecer”. 

Muitos pais e educadores não permitem que as crianças brinquem na rua com receio que possam estar sujeitos a algum tipo de perigo. No entanto, a psicóloga procura desdramatizar: “O nosso país é muito seguro. Se formos ver os dados, os raptos de crianças por pessoas que não sejam da família, são residuais, quase não existem em Portugal. Temos de pensar que há um certo risco em tudo. Quando andamos com os nossos filhos de carro, também há risco”.

Para Ana Passos e Sousa, “os benefícios de brincar na rua são muito superiores aos riscos” e, por isso, acredita que “a resposta está na comunidade”: “Se estiverem 10 crianças a brincar na rua e souberem o que fazer em caso de dificuldade - se souberem que podem pedir ajuda ao senhor do café ou tocar à vizinha do r/c - tenho a certeza que nada de mal vai acontecer”.

A psicóloga continua empenhada neste modelo pedagógico e prepara-se para lançar, em breve, um novo projeto intitulado “Escola Lá Fora”, com campos de férias destinados a promover o contato das crianças com um contexto natural.

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