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Grécia arrisca colapso. O seu dinheiro está seguro?

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A crise na Grécia pode contagiar outros países, entre os quais Portugal? Os analistas não têm certezas absolutas. Mas o risco é menor agora do que era há cinco anos.

As eleições antecipadas na Grécia e a vitória de um partido que ameaçava rasgar o Memorando com a troika estão a criar instabilidade nos mercados financeiros da Europa e, nas palavras do ministro das Finanças do Reino Unido, a "criar o maior risco, atualmente, para a economia global".

No jogo político que está em curso, tanto os responsáveis gregos como os líderes políticos dos outros países europeus têm garantido que é intenção de ambos os lados é que a Grécia permaneça no euro, mas a situação continua envolta em muita incerteza. Que preocupações deve ter em relação a este risco?

Numa primeira análise, se pelo menos parte das suas poupanças está nos bancos, considere que nenhum dos principais bancos europeus tem qualquer exposição à dívida da Grécia, que numa situação extrema de saída do euro poderiam sofrer perdas. O BCP, por exemplo, chegou mesmo a ter uma unidade no país, mas esta foi vendida, tal como a exposição direta à dívida pública. Isto significa que os bancos estão a salvo de quaisquer perdas diretas caso a situação na Grécia se agrave.

Numa fase em que a União Bancária da zona euro centralizou a supervisão dos bancos europeus, o que preocupa um pouco mais os especialistas é que um eventual colapso da Grécia enquanto membro da zona euro – um cenário que a maioria considera improvável – possa gerar os chamados fenómenos de contágio. Entre 2010 e 2012, estes fenómenos eram muito comuns: notícias negativas num dos países mais fragilizados da zona euro geravam tensões também nos outros. Mas desde que, em julho de 2012, o BCE anunciou que faria "tudo o que for necessário, dentro do mandato, para preservar a moeda única", muito mudou.

"As defesas da zona euro contra o contágio financeiro são, hoje, muito mais fortes", escreve numa nota de análise Christian Schulz, economista do Berenberg Bank em Londres. Não só pela União Bancária mas pelos mecanismos entretanto lançados pelo BCE – desde a promessa de intervir em caso de nova turbulência até ao programa recém-lançado de compra de dívida pública nos mercados – há, hoje, uma maior probabilidade de que, mesmo que a situação na Grécia se agravasse, seria possível isolar o resto da zona euro e proteger os outros países.

É claro que esta é uma situação inédita na zona euro, pelo que as consequências dos diferentes riscos são sempre imprevisíveis. É por essa razão que os especialistas, apesar da confiança global de que a crise na Grécia se irá resolver, recomendam a regra chave da diversificação de investimentos: não só nos depósitos, onde estão garantidos até 100 mil euros, mas também nos outros investimentos, como nos mercados de ações e obrigações.