Trabalho e carreira

Evite estes deslizes quando lançar o seu próprio negócio

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Para lançar um negócio, não basta ter uma ideia inovadora e bem sustentada. Na gestão das pessoas, há deslizes que deve evitar cometer.

"Empreendedorismo" é uma expressão em voga. Jovens qualificados querem montar o seu próprio negócio. Ou porque sonham ser patrões de si próprios e controlar as decisões das organizações em que trabalham ou porque tentam, desta forma, contornar a anemia económica e o lento crescimento do emprego. Para lançar um negócio não basta ter uma ideia inovadora e bem sustentada. Há muitas outras decisões que necessitam de ser tomadas e há deslizes que devem ser evitados. Saiba quais são os mais comuns e que podem comprometer a sobrevivência até do projeto mais prometedor.

1. Criar uma cultura desequilibrada. Esta é uma das tentações que podem conduzir um projeto a um fim precoce. Como a ideia generalizada é a de que é preciso criar um ambiente descontraído no local de trabalho, que permita libertar todo o potencial criativo dos colaboradores, pode cair-se no erro de eliminar toda e qualquer fonte de stress. Isto inclui não fixar horários, dar dias de férias e folgas sem critério ou tentar que todas as pessoas que trabalham na empresa estabeleçam relações de amizade. Ter uma abordagem mais liberal nestas áreas pode ser um bom princípio para manter a motivação em alta, mas é preciso que tudo seja devidamente ponderado e equilibrado a partir de critérios claros e justos para evitar o caos na organização.

2. Contratar demasiado depressa. Uma empresa de grande dimensão, onde trabalhem milhares de pessoas, pode dar-se ao luxo de cometer alguns erros na contratação de novos trabalhadores sem sofrer consequências de maior por causo disto. Mas, numa start up, o assunto é mais sensível. Uma organização em fase de nascimento e a dar os primeiros passos tem que escolher muito bem quem vai integrar-se na organização porque as suas qualificações, motivações e personalidades vão ser determinantes para o sucesso ou fracasso do negócio. Leve o tempo que for necessário para não se precipitar na avaliação dos candidatos e faça as escolhas que tem de fazer apenas quando tiver mais certezas do que dúvidas de que aquele será um pilar importante para erguer o seu projeto.

3. Esquecer-se de avaliar os trabalhadores. Acontece com uma frequência elevada em todas as empresas. Os superiores hierárquicos esquecem-se de avaliar quem com eles colabora, sobretudo quando uma palavra de incentivo ou um elogio seriam excelente tónicos para manter as pessoas satisfeitas e concentradas em fazer o seu trabalho com dedicação e profissionalismo. Criticar uma situação ou dar os parabéns por causa de uma tarefa que foi concretizada com sucesso, ajudam o projeto a manter-se na direção certa e a eliminar eventuais maus hábitos que poderão crescer como ervas daninhas fatais. 

4. Cada pessoa é uma pessoa. Há empreendedores que olham para o conjunto de trabalhadores da empresa como um coletivo de quem se espera que faça o trabalho em equipa e ajudem a implantar a marca e o projeto. Mas gerir é muito mais do que fazer o papel de maestro que espera que toda a gente toque afinada sem trabalhar de perto com cada pessoa da orquestra. Não se esqueça de que cada pessoa é uma pessoa, com as suas características pessoais e profissionais, as suas forças e as suas fraquezas. Tentar lidar com toda a gente da mesma forma, como se todos fossem iguais, pode ser um erro dramático e o princípio de um atuação capaz de desperdiçar talentos. 

5. Não deixar as pessoas fazer aquilo que fazem melhor. Eis uma falha que decorre da anterior. O empreendedor tem a obrigação de saber a quem entregar as tarefas que têm de ser concretizadas, mas deve dar liberdade para que cada um as realize, dentro dos parâmetros exigidos, mas com a possibilidade de usar o seu talento e as suas qualidades específicas. Não interfira quando isso não se mostra crucial, nem caia na tentação de assumir as tarefas alheias se acha que o trabalho não está a ir na direcção certa. Converse, avalie, não tente exigir a realização de determinados trabalhos a quem não está preparado os fazer.