Investimentos

Depósitos complexos. O que são, afinal?

2 min

Ao contrário daquilo que sucede com os depósitos tradicionais, os depósitos complexos oferecem uma remuneração que não depende apenas das taxas de juro. Saiba como funcionam.

Data de publicação 2015 M08 6

É muito provável que já tenha tido contacto com propostas para subscrever depósitos complexos. Os bancos desenham estes produtos para captar aforradores que pretendam conjugar a segurança de uma aplicação classificada entre as de menor risco com perspetivas de rendibilidade mais elevadas do que aquelas que se encontram nas soluções tradicionais dos depósitos a prazo, puros e simples.

Antes de tomar decisões, convém saber em que consistem estes produtos e ter consciência de que as rendibilidades aparentemente mais atrativas podem não se concretizar porque dependem de fatores que a instituição financeira de que é cliente não controla.

O primeiro aspecto a ter presente é o de que, tal como os depósitos tradicionais, aqueles que são tidos como "complexos" não passam de uma forma de o banco se financiar. Isto é, quando alguém constitui um depósito está simplesmente a emprestar o dinheiro que poupou ao banco, tornando-se seu credor. A consequência é evidente: o banco não pegar no dinheiro e guardá-lo num cofre, mas vai emprestá-lo a famílias e empresas.

Basicamente, a saúde da aplicação que fizer num depósito depende, assim, da boa gestão do banco e da capacidade de quem contrai créditos em pagar os respectivos juros e de amortizar o capital. Assim, se lhe disserem que um depósito não tem risco, não acredite

Isto é ainda mais válido para os depósitos complexos. Seguindo o princípio de que mais rendibilidade envolve mais risco, a promessa de uma remuneração melhor tem efeitos em matéria de segurança. Porquê? Ao contrário daquilo que sucede nos depósitos tradicionais, os juros dos depósitos complexos não dependem da mera fixação de uma taxa de juro.

A rendibilidade mais elevada fica dependente da evolução de um conjunto de ativos financeiros, de índices de bolsa ou de outro indicador, como taxas de câmbio ou de juro e, até, de determinadas matérias-primas. Só se esta componente tiver o comportamento previsto nas características do depósito é que a remuneração oferecida será alcançada, o que revela que a "taxa de juro" fica sujeita a um grau de incerteza que não se verifica nos depósitos tradicionais.

Os depósitos complexos podem garantir uma taxa de juro mínima? Sim, há situações em que isto acontece. E também há produtos que, independentemente da evolução dos ativos a que estão ligados, garantem o capital investido. Mas, atenção: se for confrontado com uma proposta, informe-se atentamente destes pormenores para que não venha a ter surpresas desagradáveis. E não se esqueça de uma regra fundamental quando se escolhe um produto financeiro: jamais invista em algo que não compreende.
 

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