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Crise na Grécia: o seu dinheiro está seguro?

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Estão todos a falar da Grécia: os bancos estão fechados, houve um referendo, as bolsas reagem, os políticos comentam. Embora seja uma situação a acompanhar, não estenda demasiadas preocupações à sua carteira. Há cinco áreas em que deve ponderar o efeito da crise grega.

1. Crédito à habitação: continua a festa dos juros baixos

A Grécia não é o único motivo para o Banco Central Europeu manter as taxas de juro de referência da zona euro em mínimos históricos. No entanto, é um dos fatores cruciais. Quem tem créditos de taxa indexada beneficia do momento: as prestações nunca foram tão baixas. As Euribor continuam a ser negociadas perto de zero: a Euribor a três meses está em -0,015% e a Euribor a seis meses em 0,050%.

O Banco de Portugal já veio esclarecer que os bancos credores têm de refletir as taxas negativas das Euribor nas prestações. Se a Euribor a seis meses continuar a queda – que já dura há quase quatro anos –, muitas famílias deixarão de pagar juros ao banco.

2. Poupanças: más notícias para os aforradores

O reverso da moeda das taxas de juro mínimas está nas poupanças dos portugueses. O arrastar da crise grega pode contribuir para a continuação de baixas remunerações nas aplicações de aforro.

As últimas estatísticas do Banco de Portugal mostram que os depósitos a prazo constituídos em abril receberão taxas de juro líquidas de 0,61% por ano. Este valor é inferior à última taxa de inflação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (0,95% até maio). Isto quer dizer que o rendimento real dos depósitos a prazo é negativo.

Os depósitos não são os únicos a sofrer. Os Certificados de Aforro também rendem menos do que aquilo que a inflação tira. A taxa anual líquida para as aplicações efetuadas neste mês de junho é de 0,71%.

3. Investidores: aproveitar para reforçar

Se investe para o longo prazo, os problemas na Grécia apenas podem afetar marginalmente a sua carteira. Se não comprou títulos gregos, é pouco provável que esteja exposto à economia helénica. Um fundo de ações globais como o iShares Core MSCI World (recomendado pelo Observador para os investidores de longo prazo) tem mais de 1.500 títulos, mas nenhum é grego. (Quatro são portugueses mas absorvem apenas 0,06% do capital do fundo.)

É possível que, provisoriamente, os preços dos seus ativos fiquem deprimidos. Aconteceu nesta segunda-feira: a bolsa de Lisboa abriu a cair 5% e as Obrigações do Tesouro a dez anos perderam valor. Para os investidores mais atentos, estas fraquezas momentâneas podem ser oportunidades de investimento.

4. Viajantes: férias mais baratas

Se se assumir que o euro é uma média das divisas da zona, a potencial saída da Grécia poderia fortalecer a moeda única, mesmo que marginalmente. A verificar-se, isto refletir-se-ia em férias mais baratas fora da zona euro. Contudo, os mercados cambiais são difíceis de antecipar. O movimento pode ser exatamente o oposto.

Há, no entanto, uma certeza: as despesas dos veraneantes na Grécia serão inferiores. A inflação helénica foi de -2,1% nos 12 meses que terminaram em maio passado, segundo o instituto de estatística do país.

5. Nervosos: não o sejam

No panorama europeu, a Grécia é uma nação quase tão pequena como Portugal: inclui 3% da área da União Europeia, 2,2% da população e 1,2% da produção económica. A crise grega dificilmente terá um impacto mais do que marginal no seu dinheiro. Por isso, não se preocupe em demasia. É, de facto, uma situação difícil para os gregos, mas que não tem reflexo proporcional em Portugal.

Artigo originalmente publicado no Observador.