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Crédito automóvel: tudo o que precisa de saber

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Tem dúvidas sobre a melhor forma de financiar o seu próximo carro? Conheça as diferenças entre os vários tipos de crédito e ao que deve estar atento.

Data de publicação 2021 M08 13

Depois da casa, o automóvel é provavelmente a compra mais cara que a maioria das pessoas faz, mesmo que se trate de um carro citadino mais acessível ou de um modelo maior e mais caro, mas em segunda mão. O financiamento é uma necessidade quase obrigatória e existem diferentes formatos e opções. Veja o que deve ter em conta se está a pensar fazer um crédito automóvel.

O que é o crédito automóvel?

É um contrato de financiamento - feito com uma instituição autorizada - para compra de uma viatura, nova ou usada, cujo montante, prazo e mensalidades são definidos logo à partida. Segundo as regras do Banco de Portugal, o crédito automóvel está limitado a 75 mil euros e 120 meses para o reembolso. Por outro lado, pode ser necessário dar uma entrada inicial, mas há também entidades, como a Cofidis, que financiam essa compra a 100%.

Que modalidades existem?

O crédito automóvel para compra é o modelo mais utilizado em Portugal e pode ser de dois tipos: com ou sem reserva de propriedade. Depois existem ainda três opções diferentes de financiamento.

  • Crédito auto com reserva de propriedade. Um contrato de crédito convencional, em que o carro é do cliente, mas a instituição financeira regista na conservatória o direito de propriedade sobre o mesmo, que pode exercer caso haja incumprimento do pagamento.
  • Crédito auto sem reserva de propriedade. Neste modelo, mais simples, a instituição pode exigir outras garantias ou avaliar com mais detalhe o risco de crédito, mas não reserva a propriedade do carro.
  • No Aluguer de Longa Duração (ALD) o cliente paga uma mensalidade para ter acesso a um carro durante um determinado período. O carro é da instituição de crédito, mas o contrato implica que no final o cliente paga o valor residual - o que a viatura vale nesse momento - e fica com a propriedade da mesma.
  • Leasing. Um contrato semelhante ao ALD, mas no final do período definido o cliente pode ou não adquirir o automóvel, pagando para isso o valor residual do mesmo.
  • Renting. Não é um crédito, nem tem de ser feito por uma instituição financeira, mas é um modelo que acaba por entrar no leque de escolhas. O também chamado aluguer operacional é um contrato em que a propriedade da viatura nunca passa para o cliente e alguns serviços - como manutenção, pneus, seguros e impostos - podem ser incluídos na mensalidade a pagar ao longo do contrato. Normalmente é definido um limite máximo de km por ano.

No passado, todo este tipo de soluções de financiamento existiam apenas para carros novos. Gradualmente, com as empresas a rodarem a frota e mesmo os particulares a trocarem de carro com mais frequência, é cada vez mais fácil encontrar este tipo de produtos tanto para veículos novos como para usados.

Um stand pode fazer um crédito automóvel?

Muitos concessionários, stands de automóveis e empresas especializadas disponibilizam as várias soluções de financiamento aos clientes interessados, para simplificar o processo de compra. No entanto, o crédito não é contratado ao stand, mas sim a uma instituição financeira que lhe está associada, devidamente autorizada pelo Banco de Portugal. Por outro lado, pode sempre pedir um crédito à sua instituição de confiança, não tem de usar a proposta ou instituição parceira do stand ou concessionário.

A que devo estar atento?

Um crédito depende sempre do seu historial financeiro, da sua taxa de esforço (percentagem do rendimento mensal destinada a compromissos financeiros) e das condições definidas pela instituição financeira. Mais do que a TAN (taxa anual nominal), deve ter em atenção a TAEG (taxa anual de encargos efetiva global). A TAN representa o custo associado apenas aos juros do empréstimo, Já a TAEG acrescenta a esse custo, encargos e impostos e tem um teto máximo definido pelo Banco de Portugal. Há instituições que cobram comissões mais altas, ou que pedem um valor para a abertura do processo. O crédito automóvel da Cofidis, por exemplo, não requer pagamento de comissão de abertura e o seguro de proteção do crédito é facultativo. As informações dos encargos têm sempre de estar descritas na FIN (Ficha de Informação Normalizada), mesmo relativamente a serviços que não tenha solicitado, como o seguro do crédito.

As taxas são iguais para carros novos e usados?

Se estiver indeciso entre um veículo novo ou um usado - caso esteja a tentar encontrar um modelo maior ou mais potente pelo mesmo valor, por exemplo -, tenha em atenção que as taxas variam, são normalmente um pouco mais altas no caso de veículos usados. Outro fator que também afeta o valor da mensalidade é a opção por uma taxa fixa, que se mantém ao longo do contrato, como é o caso da Cofidis, ou por uma variável, que está sujeita às flutuações da taxa de referência Euribor. Esta última é atualizada normalmente a 3, 6 ou 12 meses, dependendo da opção escolhida para o contrato.

Há seguros obrigatórios para um carro a crédito?

Quer pague um carro a pronto ou com recurso a financiamento, o seguro obrigatório é o de responsabilidade civil, o mais simples, também chamado ‘contra terceiros’. Caso opte pelas opções de ALD ou Leasing, em que a propriedade do carro é da instituição de crédito - pelo menos ao longo do período do contrato -, é provável que lhe seja exigido um seguro de danos próprios, conhecido por ‘todos os riscos’. Desta forma a instituição credora tenta garantir que o carro, caso o cliente não fique proprietário no final, está em boas condições.

É possível fazer um reembolso antecipado?

Sim, num crédito automóvel o reembolso antecipado pode ser feito tanto de forma parcial como na totalidade do valor em dívida nesse momento. Deve informar a instituição com 30 dias de antecedência pelo menos. A comissão máxima a pagar pela antecipação do pagamento é de 0,50% sobre o montante reembolsado caso falte mais de um ano até ao fim do contrato, e 0,25% caso o pagamento das mensalidades termine em menos de um ano.

Tome nota: um carro é um investimento elevado, que além disso obriga a outros custos como os seguros, o IUC e a manutenção regular (pneus, direção, óleo, filtros, escovas dos vidros). Mesmo que não faça muitos km por semana e o valor das portagens e combustível não seja relevante, faça bem as contas a todos os custos que vai ter de suportar ao longo do ano. Os pneus, por exemplo, têm de ser trocados aos pares e podem ter valores bastante elevados.

Na altura de fazer um crédito, faça várias simulações e compare bem os custos mensais e totais, as exigências e os benefícios, o efeito de incluir o seguro ou fazê-lo à parte. E se mais tarde quiser fazer um reembolso, veja os custos que tem de suportar e o próprio valor do carro se o quiser vender. Caso tenha uma mensalidade baixa, manter o crédito permite que continue com uma almofada financeira para emergências, ou ajuda-o a investir de outra forma.