Dinheiro

Comprar ou Arrendar? Eis a questão

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Especialistas e dados tendem a convergir: atualmente comprar casa compensa mais.

Portugal saltou para a ribalta, está a viver da boa reputação como destino turístico, para trabalhar e viver e isso teve consequências no preço das casas para comprar e para arrendar.

A procura é muita, os preços subiram, e ficou mais caro viver em Portugal, em especial nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto.

No meio desta conjuntura há quem não saiba qual é a solução mais barata: arrendar ou comprar casa. Não havendo respostas 100% certas, parece ser consensual entre dados e especialistas que comprar casa sai mais barato no longo prazo. Deixamos alguns dados para o ajudar na avaliação adequada à sua situação.

  • Os dados do INE relativamente aos primeiros seis meses deste ano mostram que, em Portugal, o valor médio por metro quadrado para arrendar subiu 9,2% para 5 euros. Para comprar, o valor médio por metro quadrado é 1.011 euros. Contas feitas, pelo Negócios com base nestes números, mostram que uma casa com 100 metros quadrados, tem um preço de venda de cerca de 100 mil euros e um preço de arrendamento de cerca de 500 euros. Isto significa que, o valor a pagar pelo arrendamento paga o valor de venda da casa em menos de 17 anos. A conclusão é que arrendar parece estar mais caro do que comprar.
  • Um estudo da Universidade Nova de Lisboa parece chegar à mesma conclusão por outra via. Quer comprar, quer arrendar casa na capital implica uma taxa de esforço de mais de 50% no orçamento das famílias. Os dados mais recentes mostram que a taxa de esforço para quem compra casa em Lisboa é de 58%, mas no arrendamento o número pesa ainda mais, 67%.
  • As taxas ajudam à opção da compra. Ainda que o valor das casas para comprar possa estar mais alto, as taxas dos bancos no crédito habitação voltaram a cair, com os spreads a encostar-se a 1%, o que significa que os clientes estão a pagar menos pelo dinheiro.
  • Comprar parece ser a melhor opção para poupar no longo prazo, mas é preciso ter mais dinheiro disponível à entrada. É sempre preciso considerar os custos iniciais relacionados com o processo, como os gastos notariais e de registo, IMT, Imposto do selo, comissões iniciais e uma entrada de cerca de 20%, equivalente ao valor da avaliação do imóvel. Tudo somado este investimento inicial pode ser penalizador sobretudo para os mais jovens, cujos rendimentos são tendencialmente mais baixos e que ainda não tiveram tempo para fazer poupanças. 

Lembre-se, no entanto, que a compra de uma casa retira flexibilidade à vida, em particular no aspeto profissional. É por isso que muitas famílias adiam a decisão de aquisição para mais tarde. A sua decisão de comprar ou de arrendar deve depender não só das contas ao orçamento familiar, mas também à fase da vida em que se encontra.