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Comprar casa ou arrendar: O que compensa mais?

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É a pergunta que quase todas as pessoas fazem, mas a resposta não é fácil. Para comprar casa é preciso um grande compromisso e investimento inicial. Já arrendar casa é estar disposto a pagar por um bem que nunca será nosso.

Data de publicação 2021 M11 30

Um T2 com varanda frente ao mar, uma vivenda isolada com jardim, uma penthouse com vista para a cidade. Todos temos a nossa ideia de casa de sonho, aquela que será para sempre, seja para duas pessoas ou para uma grande família. Mas atingir essa meta não é fácil e antes disso há um longo caminho, com dúvidas e decisões, e muitas vezes com várias casas pelo meio.

A pergunta mais importante que quase todas as pessoas fazem a dada altura nas suas vidas é: devo comprar casa ou arrendar casa? A resposta depende de vários fatores, que devem ser bem medidos. Apesar de o dinheiro ser fundamental nesse cálculo - afinal de contas é o maior investimento que a maioria das pessoas faz, mesmo quando se trata de uma renda.

Preços sobem, mas existe mais oferta para comprar casa

O valor das casas subiu bastante nos últimos anos em Portugal, com o mercado imobiliário a estar particularmente dinâmico nas principais cidades e zonas turísticas, bem como nas áreas urbanas adjacentes. A pandemia trouxe uma ligeira correção nalgumas zonas, mas acabou por provocar aumentos noutras que estavam mais estáveis, principalmente fora das cidades. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço médio dos alojamentos subiu 6,8% no segundo trimestre de 2021, para 1268€/m2. E Lisboa, que tinha visto os preços descer um ano antes, voltou a registar subidas.

Este aumento do valor dos imóveis, muito impulsionado pelo turismo e por investidores internacionais, não é acompanhado por uma subida do rendimento dos portugueses. No entanto, a oferta de casas em Portugal para arrendamento continua baixa quando comparada com o número de casas disponíveis para venda, e a preços elevados para a maioria das pessoas. Ainda de acordo com o INE, o preço do m2 das casas para arrendar em Portugal subiu 1,9% em outubro de 2021, face a igual período do ano anterior. Todas as regiões tiveram aumento, principalmente Lisboa: 2,1%.

Como decidir entre comprar casa ou arrendar casa?

Na altura de tomar uma decisão - seja porque estamos a sair de casa dos pais, porque a família está a aumentar ou porque vamos mudar de emprego - é preciso olhar para os rendimentos mensais e poupanças acumuladas, mas também para o estilo de vida e interesses, ou para a carreira profissional e perspetivas. Antes de decidir pergunte-se:

  • Tem um salário fixo e algumas poupanças?
  • Tem um emprego estável e não prevê mudar?
  • Imagina-se a mudar de zona ou cidade ao longo dos anos?
  • Quer aumentar a família e dar estabilidade às crianças?
  • Prefere pagar um valor mensal alto, mas não ter de lidar com outros custos e burocracia?

Comprar casa tem vantagens, mas também riscos

Um dos principais incentivos à compra de casa é o seu valor após pagar o empréstimo, porque é um bem que fica na família, que pode ser usado e transmitido como herança ou vendido. Mesmo que o valor de venda seja inferior a todos os custos que se teve ao longo dos anos, numa casa arrendada é que não há qualquer recuperação de valor. Mas também pode haver desvantagens em comprar uma casa.

Vantagens de comprar casa:

  • Propriedade do imóvel, que passa a ser um ativo, um investimento;
  • Alterar e decorar a casa exatamente como queremos;
  • Estabilidade, não temer o fim de um contrato;
  • Custos mensais normalmente inferiores a uma renda.

Desvantagens de comprar casa:

  • Necessidade de um grande investimento inicial;
  • Burocracia, seguros, impostos e todos os custos que isso acarreta;
  • Responsabilidade total sobre obras que sejam necessárias na casa;
  • Menos mobilidade, em caso de mudanças profissionais.

Arrendar casa não é só perder dinheiro

Pagar uma renda durante muitos anos parece um mau negócio e, na verdade, feitas as contas o valor de toda uma casa é gasto em menos tempo do que muitas vezes pensamos. Num apartamento com um valor de 200 mil euros, por exemplo, cuja renda seja 750 euros, os inquilinos pagam o equivalente ao total da casa em 22 anos - isto sem contar com aumentos anuais na mensalidade. No entanto, isso não significa que arrendar casa é deitar dinheiro para o lixo, há vantagens e desvantagens nessa opção.

Vantagens de arrendar casa:

  • Custo fixo mensal, sem burocracias;
  • Liberdade para mudar mais rapidamente;
  • Menos responsabilidade e custos com a manutenção;
  • Menor compromisso, menos risco financeiro.

Desvantagens de arrendar casa:

  • Não há retorno no dinheiro que é gasto;
  • Risco do fim do contrato;
  • Renda normalmente mais alta do que a mensalidade de um crédito;
  • Menor ‘ligação emocional’ à casa.

Comprar uma casa é um investimento seguro?

Os imóveis são normalmente vistos como um investimento, como se de um depósito a prazo ou uma carteira de ações se tratasse. Neste aspecto, tendo em conta a inflação e a constante evolução do mercado imobiliário, uma casa pode ser vista como uma aposta segura, sem grandes riscos. Mas não se pode esperar um enorme retorno financeiro, que ficará, isso sim, para quem herdar a habitação. E se tivermos em conta os custos relacionados com um crédito para comprar casa, menos compensa esse investimento como tentativa de gerar lucro.

Um investidor mais ativo e experiente, com perfil de risco, que tenha a poupança adequada para dar entrada de uma casa, pode preferir investir esse dinheiro noutras aplicações financeiras, que lhe dêem um maior retorno a curto ou médio prazo. Em poucos anos essa entrada pode ser transformada numa poupança maior ou na possibilidade de comprar uma casa melhor, compensando os custos de viver mais algum tempo numa casa de renda.

Arrendar casa para o presente, comprar casa para o futuro

Cada situação familiar é diferente, pelo que tal como é difícil dar uma resposta certa sobre comprar ou arrendar casa, também não é fácil definir o tipo de pessoa para cada opção. No entanto, arrendar é uma boa solução quando não há muito dinheiro para a entrada de uma casa, ou quando o salário é baixo e o vínculo profissional incerto. Todos esses fatores dificultam a obtenção de crédito bancário, e estão normalmente associados a jovens ou casais em início de vida.

Já a compra de uma casa implica um bom investimento inicial, habitualmente 30% do valor, e uma situação financeira estável, para ajudar a conseguir o crédito. Isso normalmente acontece em pessoas ou casais já com alguns anos de vida profissional, com objetivos de vida bem definidos. É para essas pessoas e famílias que a “casa para a vida” faz mais sentido, no longo prazo compensa sempre.

E o recheio? Uma casa não pode estar vazia!

Na altura de mudar para uma nova casa, seja uma casa compradaou arrendada, há outro aspeto muitas vezes esquecido: a mobília e os eletrodomésticos. Trocamos de casa para uma maior, ou investimos na compra de uma casa com mais divisões, a pensar no escritório ou no quarto extra que pode vir a ser necessário. Mesmo que já tenhamos uma boa cama e uma estante gira para a sala - ou então uma televisão de grandes dimensões e um sofá confortável a acompanhar -, há peças novas que precisamos de comprar ou eletrodomésticos que mais vale trocar.

Quando se arrenda uma casa, é necessário acrescentar mais uma ou duas rendas no início do contrato. E quando se compra uma casa, tentamos usar todo o dinheiro possível logo na entrada e nos impostos ou outras despesas que é necessário pagar, como o IMT ou a escritura. É fácil antever então uma habitação com algumas divisões um pouco vazias ou com uma cozinha menos equipada. A solução nestes casos pode estar num crédito pessoal para recheio, que tanto serve para quem gastou as poupanças na caução da renda como para quem colocou as fichas todas a aumentar a entrada para a casa.

Um crédito pessoal para recheio pode ser pago em 84 meses, 7 anos, o que permite definir uma mensalidade baixa que não interfira com a renda ou a prestação da casa em termos de orçamento familiar. Na Cofidis, por exemplo, um crédito pessoal Lar e Recheio no valor de 5.000 euros - suficientes para equipar quase uma casa inteira - representa uma mensalidade de 86,23 euros em 84 meses, com uma TAEG de 12,8%, uma TAN de 10,8% e o MTIC de 7.375,32€.

Comprar uma casa é uma das decisões mais importantes da nossa vida, um compromisso para a vida que muitas vezes até supera o tempo que dura a relação entre as pessoas que partilham uma casa. Arrendar é mais fácil, mas na conjuntura atual obriga frequentemente a uma taxa de esforço elevada, uma mensalidade que um banco não aprovaria como prestação de um crédito.