Crédito

Compensa alargar o prazo do empréstimo?

2 min

Aumentar o prazo de um empréstimo permite reduzir o valor da prestação mas sai mais caro no final. O importante é fazer bem as contas.

Data de publicação 2014 M03 10

Está a pensar em aumentar o prazo do seu crédito pessoal ou empréstimo da casa para reduzir a prestação? Se a resposta é afirmativa deve saber, em primeiro lugar que esta opção significa um encarecimento do próprio empréstimo. É que, no final, o mesmo crédito vai acabar por sair-lhe mais caro, além do facto de estar a prolongar a sua dívida por mais tempo, limitando a sua capacidade de poder pedir um outro empréstimo para uma finalidade diferente.

Para perceber melhor vamos tomar como exemplo um empréstimo à habitação. Imaginando que tem um crédito a 30 anos e que pretende aumentar o prazo para 40 anos, à partida, se o banco estiver receptivo, esta não será uma operação difícil de concretizar.

Assim, num crédito de 100 mil euros, a 30 anos, com a Euribor a rondar os 1% e um ‘spread’ (taxa de juro que é adicionada à taxa de mercado Euribor e que, na prática representa  a margem de lucro do banco) também de 1%, e imaginando que as condições não se alteravam até ao final do contrato, para nos facilitar as contas (o que não acontece dada a flutuação da Euribor), a prestação mensal a pagar rondaria os 370 euros.

Ao aumentar o mesmo empréstimo para 40 anos (e mantendo o mesmo ‘spread’) a prestação diminui para cerca de 303 euros. Ou seja, passaria a pagar aproximadamente menos 67 euros por mês.

À partida este até parece um bom negócio, uma vez que está a “poupar” quase 70 euros por mês. Mas na realidade, por ficar mais 10 anos a pagar o mesmo empréstimo, no final vai sair-lhe mais caro.

É que pagando o empréstimo, com esta condições, ao final de 30 anos o empréstimo tinha-lhe custado pouco mais de 133 mil euros. Passando o crédito à habitação para 40 anos, o mesmo empréstimo vai sair-lhe, no final do prazo, a mais de 145 mil euros. Isto significa que, por ter alargado o prazo do seu empréstimo em 10 anos, acabou por pagar mais 12 mil euros do que se tivesse mantido o prazo de 30 anos.

Estas contas ajudam-no a perceber o que pode ser verdadeiramente importante para o seu orçamento, e que quando pensa em alargar o prazo de um empréstimo, no final, o preço a pagar é mais elevado.

Além disso, há outro factor. Quando contratou o seu empréstimo inicialmente usufruiu de algumas condições, nomeadamente de um determinado ‘spread’. Possivelmente, quando for renegociar um aumento do prazo o ‘spread’ deverá sofrer alterações e a instituição financeira poderá vir a cobrar-lhe um ‘spread’ mais elevado, esbatendo a poupança que poderia conseguir na prestação mensal.

Se está a pensar em alargar o prazo de um empréstimo, o melhor mesmo é pedir simulações e fazer as contas.

 

 

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