Investimentos

Como transformar um escritório num apartamento?

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Há requisitos e custos que deve ter em conta, se está a pensar em transformar um escritório num espaço para habitar. Informe-se, faça contas à vida, e descubra se compensa.

É uma dúvida pertinente. Tem um escritório e pretende transformá-lo num apartamento? Ou quer adquirir um escritório para uso habitacional? Seja por vontade ou por necessidade, pode ser uma opção a considerar, sobretudo porque pode representar uma solução mais económica, sobretudo numa altura em que as casas em algumas zonas do país atingem preços proibitivos. 

Se não tem o dinheiro necessário para comprar uma casa de que goste, investir num escritório e transformá-lo numa casa pode ser uma boa solução. Convém ter paciência e tempo para procurar, pesquisar e visitar espaços, até encontrar um que reúna as condições para vir a ser uma casa à medida das suas necessidades.

Mais à frente, abordaremos o lado burocrático da questão. Para já, falamos-lhe sobre cinco aspetos que deve ter em conta.

1. Procurar um imóvel com possibilidade de transformar em habitação

A primeira coisa que tem de fazer é procurar um escritório com a possibilidade de ser transformado em habitação. Antes de avançar com o negócio, apure se o imóvel já foi uma habitação, ou se tem alvará para o efeito, para evitar ter de tratar da burocracia, que custa tempo e dinheiro.

2. Fazer contas ao preço do imóvel e às obras

É verdade que, tendencialmente, o preço por metro quadrado de um escritório, é mais barato do que o de um apartamento. É possível encontrar  à venda escritórios com 70 metros quadrados, nos arredores dos centros urbanos, por menos de 50 mil euros, ou espaços de 100 metros quadrados, nas grandes cidades, a partir de 90 ou 100 mil euros. Valores bem mais apetecíveis quando comparados com habitações com características semelhantes (localização, área e estado de conservação). À partida, tudo aponta para que compense comprar um escritório. Mas não se precipite. Antes de adquirir o imóvel, deve somar os gastos que vai ter com as obras de transformação ou remodelação. Faça uma estimativa, para ver se no fim de contas, o negócio vai compensar economicamente, caso essa seja, para si, uma preocupação.

3. Pedir orçamento

Se não tiver nenhum amigo ou familiar construtor, terá de recorrer à ajuda de profissionais. Para isso, deve pedir mais do que um orçamento. Idealmente, três. Na altura em pedir um orçamento já deve ter a noção de que tipo de intervenção que deseja fazer no imóvel. Ou seja, convém ter a planta da casa e o projeto final na cabeça. Por exemplo, o escritório é amplo ou tem divisões? Tem armários encastrados? Tem cozinha ou casa-de-banho? A boa notícia é que já pode pedir orçamentos gratuitamente. Há plataformas online em que é possível pedir orçamentos a várias empresas, comparar valores e até gerir todo o processo online. O facto de tratar de tudo isto pela Internet, e não presencialmente, pode permitir uma poupança de até 50% no orçamento final da obra.

4. Mãos à obra

Já tem imóvel, orçamento para obras e empreiteiro? Então, mãos à obra. Se o espaço do escritório for totalmente amplo, o loft pode ser uma boa alternativa. Poupa nas divisões (e nas obras) mas tem de ser mais criativo na hora de delimitar espaços e criar ambientes. Mas se o espaço é de pequenas dimensões e tem divisões, por vezes, o desafio é ainda maior. A regra é não usar peças de mobiliário grandes que esmaguem o espaço. Opte por ideias e soluções que tornem o ambiente mais amplo, multifuncional e flexível. Paredes pintadas de branco, obrigatório se quer que o espaço pareça maior. Também há lojas de mobiliário, de estilo minimalista e multifuncional, que podem dar uma ajuda, já que têm tudo pensado para que nada falte no mais pequeno espaço. A questão da luz natural é um aspeto importante. Se lhe faltar luz do dia, o que não é raro em escritórios, sobretudo antigos, considere romper uma parede e criar uma janela, nem que seja de vidro fosco. Tornará o espaço mais amplo e luminoso.

5. Ordem para decorar

Chegou o momento de dar uma segunda vida e oportunidade àquele escritório. Use a imaginação, uma fita métrica, um papel e uma caneta, e tente antecipar aquilo que quer fazer da sua nova casa. Quer um espaço, acima de tudo, prático, ou dá privilégio ao conforto? Não se precipite e não encha a casa com móveis que depois não cabem. Campestre, escandinavo, minimalista, moderno, é tudo uma questão estilo, e de gosto.Leve a criatividade ao máximo, divirta-se, e seja feliz na sua nova casa.

Vamos então a outro aspeto que não pode ser contornado, a burocracia. Transformar um apartamento em habitação pode implicar fazer uma alteração de uso, ou seja, obter uma licença camarária. Terá de ser emitida uma licença de utilização, que neste caso será para uso habitacional. Uma vez que, provavelmente, terá de fazer obras no espaço (por exemplo, modificar a casa-de-banho ou construir uma cozinha), o melhor será contratar um arquiteto para lhe tratar do processo. Conte com estes custos, quando fizer contas ao que vai gastar.

De qualquer forma, porque cada caso é um caso e convém saber com o que contar quando se meter nesta aventura, contacte a Câmara Municipal e peça um esclarecimento em relação aos passos a dar. Pode também consultar a portaria 113/2015, anexo I, pontos 25 ou 26 e encontrará informação relevante aplicada ao seu caso. 

Se o imóvel estiver localizado em Lisboa, encontrará aqui informação em relação à alteração de utilização, nomeadamente a lista dos documentos necessários e os custos com o processo.