Direitos e Deveres

Como pedir ou doar alimentos?

8 min

A crise que se faz sentir em Portugal está a deixar cada vez mais famílias numa situação preocupante. Há quem tenha ficado com menos rendimentos e, por isso, com mais necessidade de pedir ajuda alimentar. Saiba aqui como pedir apoio ou como dar a quem mais precisa.

Data de publicação 2020 M12 21

Em 2020, dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a pedir apoio, principalmente alimentar, devido à perda de rendimentos provocada pela pandemia de Covid-19. Também os portugueses que frequentemente doavam bens e dinheiro nas muitas recolhas e peditórios de rua, organizados um pouco por todo o país, ficaram sem saber exatamente como apoiar. Veja abaixo qual a melhor forma de pedir ajuda alimentar a três instituições - Banco Alimentar, Cáritas e Re-food - ou de dar o seu contributo.

Banco Alimentar: ‘Supermercado’ de milhares de instituições

A principal instituição portuguesa a apoiar com alimentos as pessoas e famílias carenciadas é o Banco Alimentar Contra a Fome (BA), que distribui essa ajuda através de  milhares de associações, instituições, grupos ou comunidades em contacto direto com os beneficiários. Existem 21 bancos espalhados pelo país, com mais de 400 voluntários regulares, 43 viaturas de carga e perto de 19 mil m2 de armazéns.

Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, disse ao Contas Connosco que “desde 20 de março foram recebidos 22.620 pedidos, num total de 68.139 pessoas, encaminhados para 823 entidades parceiras”. Isto a somar às mais de 372 mil pessoas que já eram apoiadas por 2.399 instituições sociais que, “no terreno e com grande proximidade, encaminhavam diariamente cabazes alimentares ou refeições confecionadas às famílias apoiadas”. Em novembro e dezembro - depois de uma primeira vaga difícil seguida de um verão mais tranquilo, os bancos alimentares passaram a receber uma média de 52 pedidos de apoio por dia, principalmente nos “centros urbanos de Lisboa, Setúbal, Porto, Aveiro, Braga e Faro”.

Apesar de todas as dificuldades, a ajuda não pode parar e Isabel Jonet indica que a melhor forma de a solicitar é online, através deste formulário da Rede de Emergência Alimentar, estrutura criada especificamente para apoiar a sociedade em contexto de pandemia. “Será contactado por uma instituição de solidariedade perto da sua residência, que irá avaliar a situação e dar toda a ajuda de que necessita”, explica a responsável. Alguns exemplos de estruturas locais que fazem a distribuição no terreno,  que também podem ser contactadas diretamente por quem necessitar, são os polos locais da Cruz Vermelha, centros paroquiais, corporações de bombeiros, casas do Povo, fundações e Misericórdias.

Peça ajuda ao Banco Alimentar aqui

‘Há sempre lugar para mais um’ e outras formas de ajudar

Habitualmente o Banco Alimentar realiza duas campanhas de recolhas de produtos por ano, principalmente nos supermercados e hipermercados, com milhares de voluntários envolvidos. Em 2020 a instituição foi forçada pela pandemia a alterar essas campanhas, disponibilizando vales virtuais nos espaços comerciais. A última decorreu até 13 de dezembro, com o lema ‘Há sempre lugar para mais um’. Paralelamente, foi disponibilizado em maio o site Alimente esta Ideia, que continua ativo, permitindo ‘comprar’ produtos em nome do Banco Alimentar, para quem não se podia deslocar aos supermercados durante a campanha ou até para apoios de fora de Portugal.

O Banco Alimentar evita receber dinheiro, preferindo sempre os produtos físicos, sempre numa lógica de combate ao desperdício. Mas caso queira ajudar a instituição, além das campanhas regulares, pode:

  • Oferecer-se como voluntário
  • Doar produtos a um dos 21 bancos, que tanto podem ser cabazes de compras, caixas de produtos individuais ou excedentes de produção agrícola. Neste último caso, o contacto prévio é ainda mais importante, para assegurar as condições de higiene e rápida distribuição
  • Doar papel, como alternativa indiretamente a doar comida. A campanha Papel por Alimentos, entrega papel a empresas e ‘troca’ por produtos alimentares básicos.
  • Fazer um donativo. Estes destinam-se principalmente para pagar outras despesas dos bancos alimentares.
  • Dar produtos de higiene pessoal e de casa, que passaram também a ser recolhidos, no âmbito da Rede de Emergência Alimentar
Ajude o Banco Alimentar com comida ou outros bens

Cáritas com apoio além dos alimentos

Outra instituição presente em todo o território é a Cáritas Portuguesa, que também teve de multiplicar esforços para acolher novos pedidos de ajuda relacionados com a pandemia - 48 mil só na primeira vaga de Covid-19. “População sénior, famílias e crianças em situação de vulnerabilidade, pessoas em situação de sem-abrigo, migrantes em situação de vulnerabilidade social” são os alvos de uma campanha de emergência sanitária e social promovida pelo organismo católico. 

Entre outras medidas de resposta, são distribuídos cabazes de alimentos essenciais, vales de alimentação, é assegurada comida para migrantes e estudantes deslocados, e a Cáritas ainda ajuda, em alguns casos específicos, no pagamento de despesas urgentes, como rendas, medicamentos ou contas de energia. Dividida em 20 Cáritas Diocesanas, que por sua vez se multiplicam por centenas de grupos de apoio locais associados às paróquias, a Cáritas Portuguesa promove a autonomia regional, pelo que não centraliza os pedidos de ajuda. Para ser apoiada pela instituição, cada pessoa ou família deve procurar a Cáritas Diocesana mais próxima. Algumas oferecem no seu site um formulário específico para pedidos de ajuda ou instruções para o fazer, e todas têm vários meios de contacto disponíveis: morada, endereço de email, telefone e página de Facebook.

Peça ajuda a uma Cáritas Diocesana aqui

Ajuda local a pensar em todos

No site da organização católica é possível escolher entre várias formas de doação, desde donativos, transferências e cheques, até heranças e injunções. Existe ainda uma opção também online especificamente destinada para o Fundo de Emergências Nacionais - Covid-19, criado pela Cáritas. O voluntariado também é muito importante para a instituição que, tal como noutras valências, dá autonomia às sedes diocesanas para recrutarem e organizarem as equipas. Uma campanha que já foi realizada noutros anos e que em 2020 fica ainda mais associada à pandemia é a venda de velas de Natal. Podem ser compradas online, nas Cáritas Diocesanas ou nos supermercados Pingo Doce, por 2€. As receitas da iniciativa  ‘10 Milhões de Estrelas’, que decorre até 6 de janeiro, revertem a 35% para o apoio às vítimas da pandemia Covid-19, sendo o restante para financiar outras atividades da rede.

Faça aqui um donativo à Cáritas Portuguesa

Re-food reinventa-se para continuar a alimentar

A Re-food sempre se focou no combate ao desperdício de alimentos, refeições confecionadas e outros produtos alimentares que estavam quase a ser deitados ao lixo. Com uma rede de dezenas de núcleos em várias cidades, cada um apoiado por dezenas  de restaurantes, cafetarias e outras lojas de alimentos, a instituição teve de fechar portas no início da pandemia devido às restrições e à perda desses parceiros. No entanto, o movimento não estava preparado para parar a atividade. Rapidamente foi encontrada uma solução: produtos embalados, ingredientes ou cabazes de alimentos, vindos de novos parceiros como supermercados, empresas de distribuição e produtores agrícolas. Neste momento a Re-food mantém a sua valência inicial, de fornecer comida preparada a pessoas ou famílias carenciadas, e continua também a dar artigos individuais ou cabazes de produtos para os beneficiários prepararem as suas refeições.

Para pedir ajuda, o formulário do site oficial permite escolher a região e o núcleo mais próximo, mas também se pode encontrar facilmente os contactos de cada uma das mais de 50 estruturas locais espalhadas pelo país. A Re-food aposta muito na inclusão, incentivando os beneficiários a serem eles próprios voluntários também. Ao todo, mais de 7.000 pessoas dão o seu tempo à instituição.

Peça alimentos à Re-food aqui

Voluntários, parceiros e pioneiros

Se quiser apoiar esta organização, há várias maneiras de o fazer, sendo que o voluntariado é uma das principais. Todos os dias, em todos os núcleos, há equipas de pessoas que fazem recolha de alimentos junto de restaurantes e restantes parceiros; outras fazem a preparação de embalagens e cabazes em centros de operações; e as últimas equipas fazem a distribuição já de noite nos núcleos, em pontos de distribuição ou até nas casas de famílias mais afastadas. A Re-food está também disponível para acolher novos parceiros que, no caso dos restaurantes, recebem antecipadamente sacos e caixas para colocarem a comida antes da recolha. “Saudamos todos os nossos parceiros para fazer a coisa certa e convidamos todos os outros a juntarem-se ao movimento, salvar o excedente de comida e passá-lo para aqueles que mais precisam”, indica a instituição no seu site.

Descubra aqui formas de ajudar a Re-food

Chegar a uma situação de carência alimentar pode ser muito rápido e doloroso, principalmente quando umas semanas ou meses antes a situação familiar parecia estar perfeitamente equilibrada, como tem acontecido a muitas pessoas devido à pandemia. Se está com dificuldades em garantir refeições, completas e saudáveis, para si e para a sua família, não tenha vergonha de pedir ajuda. O apoio pode estar mesmo ao virar da esquina. Se por outro lado tem tempo, alimentos ou outros produtos que possa partilhar com quem necessita, não hesite: seja a ajuda ao virar da esquina que alguém está a procurar.

Se costuma ser solidário, saiba que pode usufruir de benefícios fiscais quando faz donativos. Outra forma de ajudar, é doar brinquedos usados ou apoiar o Fundo Solidário Covid-19.

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