Investimentos

Cinco conselhos financeiros que não deve seguir

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Se quer investir, não há-de faltar quem esteja disposto a dar-lhe conselhos. Mas há, pelo menos, cinco com os quais deve ter cuidado.

Tratar com cuidado do dinheiro que faz parte das suas poupança é decisivo para que não caia em armadilhas que podem custar-lhe as suas reservas para suportar despesas futuras. No dia a dia, pode escutar muitos conselhos quando tem dúvidas. Mas nem sempre aquilo que lhe dizem deve ser levado a sério. Aqui ficam cinco coisas a que não deve dar ouvidos. Ou, pelo menos, que não deve tomar como a verdade absoluta.

1. Não siga as recomendações do taxista. Esta é a imagem habitualmente usada pelos especialistas na bolsa para ilustrar os momentos em que o mercado está em plena euforia, com as cotações a atingirem valores máximos, muitas vezes injustificados. É a altura em que os mercados de ações podem estar a atingir um pico, com investidores que seguem as ondas do momento a atirarem dinheiro para aquilo que parece poder valorizar-se até ao infinito. Cuidado. Quando entrar num táxi e o motorista lhe der umas dicas sobre as ações em que anda a investir é sinal de que está no momento de sair e não de entrar no mercado.

2. Atenção àquilo que o banco recomenda. As instituições financeiras são entidades em que depositamos os nossos recursos e a confiança de que hão-de tomar conta do nosso dinheiro como se a elas pertencesse. Pode ser que as recomendações que recebe possam fazer sentido e corresponder aos seus objetivos e ao seu perfil de risco. Mas nem sempre assim sucede, como se pôde verificar durante a crise que afetou, também em Portugal, alguns bancos bem instalados no mercado. Nunca se esqueça de que quem o aconselha ao balcão de um banco tem metas comerciais para cumprir, daí que o julgamento que fazem e os conselhos que produzam possam estar enviesados e não terem nada a ver com aquilo de que necessita. 

3. Não contraia empréstimos para investir. Nos momentos de alta na bolsa, é tentador pedir dinheiro emprestado para aproveitar os potenciais ganhos decorrentes da subida das ações. O problema está em que, se investir com dinheiro alheio, está a multiplicar o risco das suas aplicações. Não só se expõe aos humores dos mercados, como ainda tem de obter ganhos que cheguem e, preferencialmente, superem, os custos do empréstimo com que se comprometeu, o que, mesmo no cenário de realização de mais-valias, lhe vai limitar os ganhos. O melhor é ser prudente, fazer um plano, investir uma determinada quantia por mês e não se endividar. Se os ativos em que investir se desvalorizarem, os custos podem ser um engulho.

4. Investir só na bolsa portuguesa. Lisboa é um mercado pequeno e estreito. Investir apenas nesta bolsa é uma decisão que aumenta o risco das suas aplicações e não se justifica quando tem a possibilidade de, direta ou indiretamente, poder fazer apostas praticamente em todos os mercados de ações mundiais. Desta forma, dilui o risco dos investimentos que optar por fazer, através de uma estratégia de diversificação que evita colocar os ovos todos no mesmo cesto. As perdas nuns mercados podem ser compensadas pelos ganhos obtidos noutros. Não se esqueça dos fundos de investimento. Há fundos que apostam em ações de todo o Mundo e que podem ser a solução mais adequada se estiver em condições de fazer aplicações menos conservadoras.

5. Se rendeu no passado, também vai render no futuro. Aqui está um dos princípios mais enganadores e perigosos. O facto de determinado ativo, como as ações de uma empresa, terem atravessado um período de valorização intensa não significa que terão um desempenho de igual sentido no futuro. O mercado de ações tem risco por causa das incertezas que condicionam o desempenho das empresas. Seja ponderado, tente informar-se sobre as tendências e apostar em ações que têm boas hipóteses de se valorizarem no futuro e não naquelas que já esgotaram a capacidade de continuar a subir.