Trabalho e carreira

Candidaturas ao Ensino Superior: como escolher um curso?

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Com a aproximação do concurso nacional de acesso ao ensino superior, a questão que se coloca é a seguinte: seguir a vocação ou olhar para as estatísticas do desemprego? Neste artigo, falamos sobre médias, saídas profissionais e tendências para o futuro. Boa leitura e boas escolhas.

Para milhares de jovens portugueses, aproxima-se a hora de darem um passo crucial nas suas vidas: as candidaturas ao ensino superior. Está a chegar a hora de fazerem opções que vão marcar o seu futuro.

Regra geral, os alunos escolhem o curso mais por gosto ou vocação do que por expectativas quanto às saídas profissionais. No entanto, mais tarde, muitos são os que acabam por só encontrar trabalho fora da sua área de formação.

Por um lado, é conveniente apostar numa área de que se goste. Afinal, trata-se de decidir aquilo que se vai fazer no futuro e, quem sabe, ao longo de toda a vida profissional. No entanto, pode ser aconselhável conhecer as médias dos cursos pretendidos e saber quais são os cursos com mais e menos saídas profissionais. Assim, em caso de dúvida, um aluno poderá sempre optar por um curso que ofereça mais probabilidades de vir a conseguir emprego, quando sair da universidade. A vocação é determinante, mas a empregabilidade não pode ser descurada. E dentro de cada área de formação há cursos que dão mais garantias.

As médias

No ano passado, a nota mais alta (entre os últimos colocados) deixou de ser de um curso de medicina e passou para a engenharia. As engenharias avançadas lecionadas pelo Instituto Superior Técnico (IST) dominam agora a tabela, com quatro das notas mais altas da primeira fase do concurso nacional.

Estes são os cursos universitários com as médias de entrada mais altas no ano letivo de 2016/2017 (numa escala até 200):

1º - Engenharia Aeroespacial / IS Técnico – 185,3

1º - Engenharia Física Tecnológica / IS Técnico – 185,3

3º - Engenharia e Gestão Industrial / FEUP – 184,8

4º - Medicina / FMUP – 184,0

5º - Medicina / ICBAS – 182,5

6º - Bioengenharia / FEUP – 182,0

7º - Medicina / U. Minho – 181,7

8º - Matemática Aplicada e Computação / IS Técnico – 180,5

9º - Medicina / U. Coimbra – 179,8

10º - Engenharia Biomédica / IS Técnico – 179,5

Por lei, não se pode aceder ao ensino superior com notas negativas, ou seja, inferior a 95 pontos. Curiosamente, foi exatamente essa a nota dos últimos colocados em alguns cursos, entre os quais Agronomia (Évora), Animação Cultural e Reabilitação Psicomotora (Vila Real), Ciências da Cultura (Funchal), Tecnologias e Sistemas de Produção (Aveiro), Solicitadoria (ensino a distância, Beja), Desporto (Bragança e Castelo Branco), Gestão Turística e Solicitadoria (Castelo Branco) e Educação Básica (Santarém).

Consulte aqui as notas de entrada dos últimos estudantes colocados em cada curso.

Saídas profissionais

Segundo as estatísticas do desemprego de recém-licenciados, Serviço Social, Arquitetura, Ciências da Comunicação, Psicologia, Arte e Multimédia são áreas em que há atualmente maior número de recém-diplomados a baterem à porta do Instituto de Emprego. De acordo com o Portal Infocursos – Direção Geral do Ensino Superior, durante a última época de candidaturas ao ensino superior havia 14 cursos com mais de 25% de alunos no desemprego:

  • Arquitetura – Escola Superior Artística do Porto
  • Serviço Social – Universidade Lusófona do Porto
  • Criminologia – Universidade Fernando Pessoa
  • Ciências da Comunicação – Universidade Fernando Pessoa
  • Teatro e Artes Performativas – Escola de Ciências Sociais e Humanas (UTAD)
  • Design de Comunicação – Escola Universitária das Artes de Coimbra
  • Arquitetura – Universidade Lusíada – Vila Nova de Famalicão
  • Turismo – Escola Superior de Tecnologias de Fafe
  • Animação e Produção Artística – Escola Superior de Educação (Politécnico de Bragança)
  • Gestão Comercial e Contabilidade – Universidade Fernando Pessoa (Ponte de Lima)
  • Engenharia Zootécnica – Escola Superior Agrária (Politécnico de Bragança)
  • Design e Animação Multimédia – Escola Superior de Tecnologia e Gestão (Politécnico de Portalegre)
  • Serviço Social – Instituto Superior de Serviço Social do Porto
  • Teatro e Educação – Escola Superior de Educação (Politécnico de Coimbra)

No extremo oposto, sem grande surpresa, os cursos na área da saúde, como Medicina e Enfermagem, de uma forma geral, são aqueles que registam uma taxa de desemprego mais baixa.

Dos cursos em instituições de ensino públicas que abriram vagas no ano passado, 25 não registavam qualquer desempregado em dezembro de 2015, segundo a Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência:

  • Medicina -  Faculdade de Medicina da U. Coimbra; Faculdade de Medicina da U.Porto; Faculdade de Ciências Médicas (UNL); Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar; Universidade da Beira Interior; Universidade do Minho.
  • Biotecnologia – Escola Superior Agrária de Coimbra
  • Ciências Biomédicas - Universidade de Aveiro
  • Enfermagem – Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias (Politécnico Castelo Branco); Escola Superior de Saúde (Politécnico de Setúbal); Escola Superior de Saúde (U. Algarve)
  • Informática – Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém
  • Matemática – Faculdade de Ciências (U. Lisboa); Faculdade de Ciências e Tecnologia (UNL)
  • Matemática Aplicada à Economia e à Gestão – Instituto Superior de Economia e Gestão (U. Lisboa)
  • Engenharia Informática – Escola Superior de Tecnologia de Castelo Branco; Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital; Escola Superior de Tecnologia e Gestão (Politécnico Portalegre)
  • Ciência de Computadores – Faculdade de Ciências (U. Porto)
  • Farmácia Biomédica – Faculdade de Farmácia (U. Coimbra)
  • Matemática Aplicada e Computação – Instituto Superior Técnico
  • Psicologia – Universidade de Aveiro
  • Línguas, Literaturas e Culturas – Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (U. Algarve)
  • Educação Musical – Escola Superior de Educação (Politécnico Porto)
  • Engenharia Geológica e de Minas – Instituto Superior Técnico

Atenção. É importante frisar que os dados sobre o desemprego podem não corresponder completamente à realidade, já que um aluno recém-licenciado pode estar no desemprego e não estar inscrito num centro de emprego. Ou então, estar a trabalhar noutra área que não a do curso que tirou. Além disso, a realidade dentro de três ou cinco anos será garantidamente diferente, pelo que a questão do emprego não deve ser determinante por si só na escolha do custo.

Para os estudantes que se preocupam em escolher áreas que virão a ter procura no futuro, a tecnologias de informação, comunicação e eletrónica e a física médica prometem ser boas apostas. Numa era de transformação digital, a procura será superior à oferta nestas áreas.

Por fim, aqui ficam mais algumas dicas:

Atenção à ordem das escolhas. Na candidatura pode selecionar 6 cursos, mas só ficará colocado numa das opções. E depois de saírem os resultados não pode escolher onde quer ficar.

Passa à frente quem tiver nota mais alta. O que interessa na colocação dos candidatos é a nota de candidatura. Isto significa que o facto de colocar um curso como opção nos primeiros lugares não representa uma vantagem face a outro aluno que colocou o mesmo curso como uma das últimas escolhas, se este tiver a nota mais alta.

Pode mudar de ideias. Até ao fim do prazo das candidaturas, é possível submeter novas candidaturas. Isto é útil para quem se enganou ou mudou de ideias. Mas tenha em conta que será válida a última candidatura submetida.

Utilize o assistente de escolha de curso. 

O prazo normal para a apresentação da candidatura à primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior inicia-se no dia 19 de julho e decorre até ao dia 8 de agosto. O Portal Infocursos disponibiliza informação sobre o desemprego, desistências ou notas finais por curso, público e privado.

Aos alunos finalistas do ensino secundário (e respetivos pais), uma mensagem final: todos devemos querer ser úteis à sociedade, mas também temos o direito de ser felizes.